Na
comemoração dos noventa e dois anos (14/09) deste autor de inúmeras realizações
ao longo da sua vida, fica aqui a nossa homenagem na letra de um seu escrito,
com mais de vinte anos, seguramente. Nesta conformidade, passamos a recordar as
suas “VELHAS MEMÓRIAS ESCOLARES”:
“Ao ler, agora, a primeira obra de Leão
Tolstoi, “INFÂNCIA”, ocorreram-me, espontaneamente, passos da minha
própria infância, na minha aldeia natal, já lá vão sessenta anos.
Pardilhó, no concelho de Estarreja,
já tinha emigrantes na América, França e Brasil; outros imigravam, sobretudo,
para a região de Lisboa e de Setúbal; os que permaneciam fiéis ao torrão natal
dedicavam-se à construção civil e à naval; mas havia os anfíbios: cultivavam a
agricultura e lavravam a ria. A igreja paroquial era, principalmente, nos dias
festivos, a casa comum. Mas a primeira missa, a missa da alva, celebrava-a o
Senhor Padre Joaquim, na capela da Senhora dos Remédios.
Estradas empedradas a macadame, só a
que ligava Avanca à Murtosa e a que vinha da sede do concelho.
Escolas, havia várias: na Rua, a da
D.ª Luciana (mais tarde também a do Sr. Reis); na Igreja, a Escola das
Senhoras; e em edifício pertencente ao Sr. Ramos – as escolas dos Senhores
Godinho, Cirne e Pitarma.
A nível pré-primário, as “Mestras”,
obreiras humildes, esquecidas, a quem tantas gerações de pardilhoenses devem
tanta gratidão.
Havia as mestras do Corgo, a mestra
Rilha e as mestras do Outeiro, se bem me lembro.
Às mestras do Outeiro, que me
ensinaram as primeiras letras e as primeiras orações, aqui deixo a minha
saudosa recordação.
Lembro a mestra Emília, asseada,
bonita, de sorriso angélico; a mestra Luz, organista, depois, da igreja
paroquial; e a mestra Ana, disciplinadora, sempre atenta às traquinices das
meninas e dos meninos, pronta a manejar a cana, sua fiel companheira. Mas não
me recordo que tenha magoado alguém.
Rigorosa no ensino do Catecismo, descrevia, com
pormenores de artista plástica, o inferno mitológico: as ígneas labaredas
alterosas, o diabo ornado de cornos e de cauda, manejando um tridente com que
atiçava o fogo sulfuroso por toda a eternidade. Descrição dantesca, mesmo na
ausência do famoso Cérbero. Mas compensava a visão terrífica, pondo-nos a
passear nos maravilhosos e babilónicos jardins do Paraíso, com anjos de
rubicundas faces, gozando todas as delícias”.

Já se sabe que tens os genes bem patentes!
ResponderEliminarBeijinho ZM.
Ah! Já enviei os parabéns mas reenvio de novo . Pai assim, merece!
ResponderEliminar