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O
"Estatuto do Trabalho Nacional", lei fundamental do corporativismo,
era mesmo para ser cumprido. Acontece que o descontentamento das massas
laborais era grande e, em 1934, estalam diversas greves, em tom de resposta à
repressão que o referido documento em si simbolizava. Em 18 de Janeiro a greve
é em defesa dos sindicatos livres, a que a maioria do povo trabalhador
aspirava, tendo aderido outros grupos profissionais. Na Marinha Grande o poder
local é dominado por trabalhadores armados e em greve. A Central Eléctrica de
Coimbra é alvo de atentados à bomba, que contemplam também várias vias-férreas,
pela mão da vanguarda operária anarquista e comunista. Na sequência de tudo
isto o Governo faz dezenas de prisões. Não obstante a contra ofensiva do poder,
os sindicatos não desarmam nem tão pouco obedecem à ordem de dissolução,
optando por formar um movimento sindical clandestino, com imprensa própria.
Tem lugar o 1.º Congresso da União
Nacional.
Na preparação das eleições para a
Assembleia Nacional, o recenseamento não é estimulado, sendo afastados dos
cadernos eleitorais os "indesejáveis", o que acaba por reflectir a
diminuição do número de eleitores.
Desta maneira, de 1933 para 1945,
aquele número desce de 1,3 milhões de eleitores para 992.700. Em 1969, o
eleitorado cifrava-se em 27% da população com mais de 21 anos de idade.
Sujeito que estava às influências
fraudulentas do poder, o sistema eleitoral ia assumindo aspectos bizarros,
senão mesmo tragicómicos: pela facção governamental votavam os mortos, enquanto
que os de confiança introduziam na urna dois boletins com a cruzinha no quadradinho
da União Nacional. Este registava as preferências de 80% de votantes na
Metrópole e quase 100% de votos nos territórios africanos, sem contar as
abstenções, como é evidente.
Salazar prossegue, indelével e
imparável a sua caminhada: proíbe e persegue os partidos e as associações
secretas, contrariamente ao que acontece com a União Nacional, onde se filiam
os partidários e apoiantes do Governo. É neste contexto, de viciação permanente
e sistemática, que Carmona, sem adversários, é eleito Presidente da República
em 1935.
Do outro lado da fronteira, em
Espanha, em 1936, a Frente Popular vence democraticamente a oposição, ganha as
eleições e consegue maioria no Parlamento. O quadro político espanhol complica
e atrapalha as intenções de Salazar, embora não o faça desistir. Tal contexto
leva mesmo o ultra conservador Professor de Coimbra a estudar cuidadosamente,
em Portugal, a conspiração preparativa da Guerra Civil de Espanha.
O líder governamental português, uma
vez mais, exalta sentimentos nacionalistas, passa a criar a "Mocidade
Portuguesa", inspirada na juventude nazi, onde faz inscrever os
estudantes, a exemplo também do que acontecia em Itália com os "camisas
negras". Institui ainda a "Legião Portuguesa", força militarizada,
marcadamente anticomunista, propondo-se defender o "património espiritual
da Nação".





