sábado, 27 de janeiro de 2018

NOMADISMO EDUCATIVO DELIRANTE



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            Salazar procurou, por norma, tirar partido do analfabetismo e ignorância, que, aliás, fomentava, da maioria do povo português, visando colher determinados dividendos políticos.

            A estratégia adoptada pelo mentor do Estado Novo estribou-se sempre em princípios, afinal, extraordinariamente simples, mas eficazes, que julgamos poder traduzir nos dois seguintes ditados populares: “Se quem não sabe é como quem não vê”, logo, “Quem não vê não peca”.

            Garantia-se, desta maneira, o comportamento condicionadamente “impecável” de todo um povo, dado que na quase total ausência de formação, informação, conhecimentos  e competências, opinião e massa crítica, não obstante o riquíssimo legado cultural que, de geração em geração, ia passando, não era possível a criação e desenvolvimento de espírito crítico, reivindicativo e combativo, chegando e sobrando as energias das massas para fins estritos de obediência e trabalho.

            Para pensar, lá estava a elite dirigente, ou seja, exactamente o inverso do que preconizavam os republicanos, logo a seguir a 1910. De resto, Salazar, no ano de 1954, durante uma entrevista, afirmou mesmo não acreditar no sufrágio universal, nem na igualdade, mas sim na hierarquia.

            Podemos agora referir, enquanto fundamento do que atrás fica dito, que, logo a 17 de Maio de 1927, o Decreto 13.619 faria encolher a escolaridade obrigatória para quatro anos. Uma outra amputação ainda na duração da frequência escolar, viria a reduzir esta, de acordo com o Decreto 18.140, de 22 de Março de 1930, para três anos apenas, ficando concluída no final do 1.º grau.

            Um ano depois seriam chamados ao ensino os regentes escolares, pessoas sem qualquer tipo de preparação, bastando para o efeito a posse de “idoneidade comprovada”. E por aí fora, malhando o regime umas vezes no cravo, outras na ferradura, através de um longo cortejo legislativo que culminaria em Abril de 1974.

            Desta maneira, e em conclusão, ficam enunciadas algumas medidas paradigmáticas que sublinham a preocupação do Estado Novo em desvalorizar o ensino e a educação das massas, em concomitância com a desqualificação profissional dos professores, principalmente os da instrução primária, sem descurar uma terceira e necessária vertente, que tinha a ver com a “promoção da função doutrinadora nacionalista” (Sarmento, 1991).

            Recorrendo ainda a este autor, citaremos os cinco períodos em que o mesmo divide o sistema educativo até 1974, em função dos eventos históricos propostos por João Formosinho: “Constituição de 33 – período de formação (1927-36); fim da II Guerra Mundial – período de mobilização (1936-47); candidatura de Humberto Delgado – período de estabilização (1947-64); doença de Salazar – período de estagnação e declínio (1964-70; evento não citado”, mas, sugerimos nós –  indefinição Marcelista – “período de continuidade (1970-74)”.

            Posto isto, no pós-25 de Abril de 1974, não só a política educativa do poder governativo em Portugal, mas também a forma, nem sempre subtil, como a educação política do poder sindical e partidário, ainda hoje, é nossa convicção, tenta fazer o aproveitamento grosseiro e demagógico do analfabetismo e ignorância persistentes, do intermitente nível de frequência e baixo aproveitamento escolares, do abandono e da tendência praticamente inexistente para a leitura de que enferma a nossa população, da desconsideração dos docentes, vistos como meros condenados a trabalhos forçados, que deverão cumprir uma carreira descaracterizada, mas de altíssimo risco, desgaste rápido e remuneração simbólica, tal como no passado, tem servido para colher certos dividendos políticos, sociais e economicistas, no pior sentido.

            Curiosamente, a nova Constituição (1976) fala na igualdade de oportunidades de todos no acesso à educação; a Lei de Bases do Sistema Educativo – n.º 46/86, de 14 de Outubro, estabelece uma escolaridade básica obrigatória de nove anos, isto é, a escola de massas passa a obrigar ao estudo muitos daqueles que gostariam de fazer tudo o mais, menos ir à escola; Portugal integra a Comunidade Económica Europeia; vive-se a crise do crescimento, uma vez mais, sem desenvolvimento palpável; surgem as novas tecnologias; a televisão invade, em doses duras, os domicílios dos portugueses; publica-se em 1990, o Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de Abril, ou seja, o Estatuto da carreira dos educadores de Infância e dos professores do Ensino Básico e secundário, substituído por um outro em Janeiro de 2007, sem que o primeiro tenha alguma vez sido regulamentado nos seus pontos essenciais. O segundo, intragável, aniquilou a classe docente, conforme se alude no início da presente página, dando continuidade ao nomadismo delirante das políticas educativas; os professores, agora com mais formação, especializações, mestrados, doutoramentos, dedicam-se mais à investigação, apostando no ensino de qualidade, na mudança... em vão, dado que não lhes é reconhecida nem levada em conta a salutar capacidade reflexiva e crítica que fomenta a iniciativa e a criatividade em autonomia. Impõe-se-lhes que sejam meros bur(r)ocratas de carga.

            Embora os professores trabalhem exaustivamente em todas as frentes, implementando uma educação/ensino ao serviço de todos e de cada um, na construção de uma sociedade melhor, são alvo do parodoxal anátema da culpabilização, de um escaldante estigma persecutório, a partir da própria tutela. Criticar torna-se, assim, perigosamente fácil, quando se joga com arbítrio, demagogia, ignorância, subjectivismo e sincretismo, como parece acontecer com os poderes tutelares, governamentais, partidários e sindicais, que, ao tratarem questões fulcrais, logo da máxima importância para o país, de forma menos própria, esclarecida e até mal gerida, vão incorrendo na deseducação das pessoas, tirando partido das contradições resultantes da complexa massificação do ensino, por um lado, e, por outro, do megafenómeno da propaganda mediática que constitui o magnetismo televisivo, quer atrás quer à frente da objectiva.

            Por que se amordaçam os docentes sobre as matérias que só a eles dizem respeito? A classe docente integra, grosso modo, 87% de mulheres... Pois é!
           
            Com efeito, proliferam por aí um sem número de criaturas, dos diversos sectores de opinião, mais ou menos iluminadas por uma sui generis capacidade analítica, que se arrogam o petulante direito, a inconveniente disponibilidade e a imprecisa preparação, desconhecimento ou ignorância, de tudo observarem, criticarem ou sugerirem sobre educação, a par das desconcertantes medidas que as várias equipas ministeriais ligadas à pasta da educação vão fazendo cair no Diário da República, sem saberem bem porquê nem porque não, ainda que pensem o contrário... ao longo dos últimos cem anos!


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

PHÁNTASMA


      Assim mesmo: phántasma – a palavra, arbitrária, por certo, tal como a recebemos do grego, tal como a interiorizámos, enquanto representação mental que ilumina o referente-significante-signo-sinal que regressa, de forma audível, fonemática, num acto distintivo de significação, para dar corpo ao significado que se pretende nomear.



            Alguém escreveu um dia, que a comunicação entre duas pessoas é sempre um diálogo a quatro vozes... E isto é tanto mais importante quanto mais determinante se torna, neste tipo de relação bilateral, a influência agreste dos desejos tornados inconscientes em ambas as pessoas, quando comparada, aquela, com o diálogo verbalizado que eventualmente possa ocorrer.



            Vem esta reflexão a propósito da mais recente notícia, veiculada pelos media globais, sobre os treze filhos de um casal norte-americano que foram encontrados em casa, acorrentados às camas, subnutridos e apagados nas suas capacidades de crescimento físico, mental e psicológico, se fizermos fé nos relatos policiais. O casal declarou-se já inocente.



            Os seres humanos são, a um tempo, energia (vida) e sensibilidade (consciência alargada), inteligência e memória e, sempre que um bebé deixa de ser, sensitivamente, uma extensão do corpo da mãe (não-Eu) experimenta um assomo de identidade, que não pode nem deve ser tolhido, para poder medrar saudavelmente. É este o começo. O ambiente familiar são os pais, mas, a sensibilidade destes não pode, sob pena de aniquilar os filhos, ocultar-se e manifestar-se, simultaneamente, buscando a sua auto-satisfação abusiva, através da expressão de duplos sentidos.



            Não pretendemos, de todo, analisar a família do exemplo mediatizado, por isso estamos a reflectir em termos gerais, partindo, para isso, de um conjunto de noções educacionais que fomos adquirindo ao longo de aturados anos de investigação... Fica a nota. Assim, sublinhe-se que a dificuldade de conciliação entre as pulsões infantis e as exigências culturais e de aprendizagem, não se liga apenas aos objectos internos e à captação simbólica do desejo, mas, por maioria de razão, a objecção principal surge pela influência dos fantasmas angustiantes projectados nas crianças pelos desejos recalcados dos adultos.



            O meio familiar e social dos filhos que muitos não merecem ter, como temos referido, envolve e condiciona, capta e reduz intrinsecamente as crianças e pesa sobre as suas cabeças como uma terrível espada de Dâmocles, capaz de lhes traçar, da pior forma, o destino.

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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

VERDADE, CORRECÇÃO E SENTIDO



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            – (...) Oh, fulano, por que razão é que o meu amigo continua a escrever com a grafia errada?! Então, ignora o Acordo?
            Quem assim falava era um amigo de longa data, acabado de chegar à confeitaria onde nos encontrávamos a bebericar um chá de cidreira e a degustar um bolo de arroz. Isto foi já há cerca de um ano, depois de uma perseverante-gratificante sessão de ginásio. Por amizade e sentido didáctico-pedagógico, lá explicámos ao cavalheiro o essencial da questão:

            Aquilo a que se chama Acordo Ortográfico (1990), nem é ortográfico nem é acordo. Em primeiro lugar, porque, neste caso concreto, o acordo é humanamente impraticável, logo, tanto quanto julgamos saber, nenhum dos restantes parceiros (CPLP-Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa), possui meios para concretizar o mesmo; em segundo, porque a palavra ortografia significa – escrita correcta, e todos sabemos que essa correcção radica na etimologia das palavras, ou seja, na origem, na verdade das mesmas, e não no arbítrio de certos políticos (alegadamente) ignorantes, narcisistas  e caprichosos.

– Portanto, meu caro, julgo que me fiz entender quanto à Verdade e à Correcção da minha grafia e à ausência de Sentido do “Acordo”. Ou não será assim?
– Pois muito me conta!... Olhe, que nunca tinha pensado nisso!...
-- É justamente o que acontece (alegadamente) com certos deputados; não pensam! Olhe, se tiver tempo, procure no blogue ANGULUS RIDET o escrito “Sobre o Absurdo Ortográfico”, para não estar aqui a maçá-lo mais sobre o assunto. E agora fale-me do seu refúgio de Verão, em Vilar de Mouros!...


            E continuámos a conversação, versando assuntos de somenos importância, servindo-nos dessa extraordinária faculdade, inerente apenas à espécie humana, que é a linguagem. É através da linguagem que se dá existência às coisas, quer dizer, a linguagem é a forma constitutiva do Homem, e, segundo Jaques Lacan, também “o inconsciente está estruturado como uma linguagem”, daí, certas atitudes humanas que ficam sempre por explicar. De qualquer maneira, as tais coisas nomeadas devem possuir sempre uma imagem mental conceptual definida, cujo referente se forme através da correcta verdade significante, detentora do maior peso e clarividência possíveis.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

RELAÇÕES ARMADILHADAS

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As relações humanas estão repletas de interacções problemáticas, sejam elas meramente disfuncionais, isto é, arredias, conflituosas, chantagistas, persecutórias ou, então, calculadamente cínicas, mordazes, arrogantes, desgastantes. A Convergência dos Afectos (temática já abordada neste blogue), no entanto, também vai sendo possível, desde que se reúnam as condições necessárias e suficientes para o efeito.

Na obra Notes on Some Schizoid Mechanisms (1952), Melanie Klein faz-nos compreender por que razão somos, por vezes, alvo do mau feitio do outro – Identificação Projectiva: esse mau self incide em nós, por evacuação, ficando aí alojado... nós, que para o outro (sujeito) não somos mais do que simples objectos relacionais onde facilmente são projectados os conteúdos nefastos e insuportáveis da sua emocionalidade delirante.

A mesma autora, em 1955, escreveu On Identification, revelando a segunda face desta mesma moeda, o que vale por dizer que a Identificação Projectiva pode ser também comunicatica, empática e apaziguadora se se verificar num contexto de envolvência salutar e harmonia.

No ano de 1962, Wilfred Rupert Bion, na obra Learning from Experience, desenvolve a noção de continente-conteúdo, firmando-se nos ensinamentos de Klein. Simplificando: tudo quanto nos aborrece, desespera ou enlouquece, da mesma forma que tudo quanto nos encanta, seduz ou derrete cabem, enquanto conteúdos conceptuais, na Identificação Projectiva que é passível de ser alojada num continente. Klein referira antes a capacidade do bom seio materno ser susceptível de, por identificação projectiva, receber e transformar os medos e misérias infantis, para que estes fossem depois removidos, reintrojectados e bem tolerados pelo bebé.

Se recordarmos o escrito a que demos o título “A Solidão e o Vazio Afectivos”, o fenómeno da Identificação Projectiva operou na criatura em causa os seus manifestos estragos, porque reflecte “atribuições encadeadas, nas quais o filho permanece cativo da economia defensiva parental”, podendo ainda o descendente ser transformado “numa extensão narcísica do self parental, ou, visando ainda perpetuar a estagnação do passado relacional parental (avós) internalizado pelos pais (Zinner & Shapiro cit. por Fleming 2004, p.65)... Tudo isto é muito mau!



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

LUGAR AO SONHO E À FANTASIA

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Lemos, algures, num "outdoor", na margem de uma auto-estrada: "Nove em cada dez crianças adormecem sem terem quem lhes conte uma história."

Isto dá que pensar... No dizer de Pierre Mabille (1904-1952), "o Maravilhoso exprime a necessidade de ultrapassar os limites impostos pela nossa estrutura, de atingir uma maior beleza, um maior poder, uma maior duração. O Maravilhoso visa superar as barreiras do espaço e do tempo; pretende destruir todos os obstáculos. Ele é a luta da Liberdade e é contra tudo o que a reduz, destrói ou mutila."

"(...) O Maravilhoso aproveita-se dos pontos de fraqueza da inteligência organizadora, como o fogo de um vulcão se insinua por entre as falhas da rocha; ele ilumina os celeiros da infância, é a estranha lucidez do delírio, é a luz do sonho, a claridade verde da paixão..."

Depois de devidamente analisada esta deliciosa explanação de Mabille, sobre o Maravilhoso, fácil é concluir o quanto arredados têm andado os adultos das necessidades mais prementes das crianças, neste particular, quer por ignorância quer por desleixo relacional; neste âmbito, também as escolas pecam por omissão.

Hoje, as famílias são cada vez mais disfuncionais, devido à pressão social e às exigências de uma economia madrasta. Não existe já (ou escasseia) a doce envolvência das famílias alargadas -- onde o quotidiano era pautado pela presença atenta dos avós, sempre adorados e respeitados. Estes mimavam os netos com imensas histórias, lenga-lengas, cantilenas e pequenos contos.

Que resta hoje às crianças, para além das aberrações virtuais, que lhes permita encetar a fabulosa, apaziguadora e edificante viagem pela aventura do sonho, do maravilhoso, rumo ao incrível universo do seu próprio imaginário?! Como conseguirão elas diluir e elaborar os seus fantasmas existenciais?!













sábado, 30 de dezembro de 2017

A SOLIDÃO E O VAZIO AFECTIVOS



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    No passado dia 25 de Dezembro, isto é, no dia de Natal, a escassos minutos da hora de jantar, junto ao aconchego da família e de alguns amigos, gozávamos o calor da lareira onde crepitavam algumas achas de azinho. Entretanto, no remanso descontraído da conversa, escutámos de um dos presentes (adulto) uma curiosa confidência: "Nunca fui capaz de concretizar os meus projectos de vida, porque não consigo deixar as pessoas de quem gosto."...

   Escusado será dizer que conhecemos muitas pessoas que enfermam deste mesmo mal e que, no dia-a-dia, não fazem mais do que se tentar enganar. É que, na prática, esta gente não gosta de ninguém nem muito menos de si própria. Trata-se da vulgar síndroma da imaturidade que consegue vencer décadas e, na maioria dos casos, acompanha estas pobres almas desamparadas até à cova.

       Já aqui escrevemos sobre o amadurecimento do indivíduo, que não acompanha necessariamente o devir cronológico (este é inexorável), nem a evolução mental, fisiológica ou afectiva. Qualquer criatura para crescer harmonicamente não pode ser absorvida pelos pais devido aos seus pavores inconscientes, às suas angústias debilitantes e deprimentes, o mesmo vale por dizer, ao seu infantilismo redutor e castrante. É este exactamente o caso da pessoa que nos fez a atrás aludida confidência.

       Atrevemo-nos a dizer, depois de termos opinado, há tempos, sobre as famílias numerosas, que há famílias que não merecem os filhos que tiveram. Reparem: o grau de harmonia do casal, que muito legitimamente pretende deixar descendência, é fulcral no quadro dos afectos de atracção (Adler). É, essencialmente neste âmbito que se vai gerando o clima familiar, sempre alicerçado pela interacção inconsciente do pai e da mãe e de todo o tipo de experiências que vão protagonizando entre si, quer ao nível sexual, como familiar, social ou de outro tipo.

   Uma individuação bem definida; uma identidade harmoniosamente estruturada; uma autonomia perfeitamente construída, no sentido da emancipação segura e responsável; um self consciente e orientador podem, afinal, constituir mais-valias gratificantes que garantam às crianças nascidas de pais adultos, dotados desse tipo de caracterologia, uma educação em liberdade, evitando que as sensibilidades mórbidas dos adultos mal formados possam intoxicar a vulnerabilidade infantil.

       





quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

HEMISFÉRIOS CEREBRAIS E DOMINÂNCIAS



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     Nos cérebros dos homens e das mulheres existem diferenças biológicas relativas que, naturalmente, determinam reacções, atitudes e comportamentos individuais e relacionais (familiares, conjugais e sociais) diversos. As mulheres mostram-se mais envolventes, abrangentes e extensivas nas suas preocupações; estas são características de que a Natureza as dotou para protecção e defesa das “crias”, durante as idades mais tenras. Atente-se, já agora, e a talho de foice, no ângulo de abertura das articulações que ligam os ante-braços e braços das mulheres (superior a 180º), para mais facilmente abarcarem os filhos pequenos. Esta é uma realidade antropologicamente reconhecida.

     Já os homens são mais analíticos, intensivos, calculistas, focados e menos propensos à rotina; isto, segundo os neurologistas que aliam este tipo de aspectos à dominância do hemisfério cerebral esquerdo. Nas mulheres, portanto, é o hemisfério cerebral direito a ditar as regras. Sendo assim, elas, pelo contrário, são mais conciliadoras e receptivas, mais pacientes e sociais (socializadoras), mais criativas e românticas... Sim, ainda hoje, e ainda bem!

     Ainda que o hemisfério esquerdo responda pela estrutura linguística, pela lógica, pelo cálculo matemático e pela gestão do tempo (tal como o entendemos), orquestrado este a partir dos movimentos de rotação e translacção do planeta Terra, enfim... “Todo o tempo é eternidade”, afirmou T. S. Eliot (1888-1965) -- Prémio Nobel da Literatura em 1948; mesmo que o hemisfério direito influencie a capacidade de síntese, a avaliação empírica, a aptidão para sonhar, na prática, porém, é esta diversidade que concorre para o colorido refrescante e complementar das relações entre homens e mulheres...

      ... Não perdendo de vista, nunca, que, em cada um de nós, mulheres ou homens, homens ou mulheres, estão presentes, necessariamente, ambos os hemisférios cerebrais, sendo a dominância exacta de cada um deles impossível de medir, mas passível de unir.


            NOTA: A todos os leitores do presente blogue – ANGULUS RIDET – http://maranduvaline.blogspot.com, faço chegar os meus votos sinceros de um Santo e genuíno Natal, com muita paz e amor.