sábado, 21 de agosto de 2021
HARMÓNICO TOM
quarta-feira, 30 de junho de 2021
A NOVA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA

(Os homens e os regimes; os regimes e os homens)
Em termos gerais, sempre que olhamos para a sociedade, podemos dizer que se trata de um organismo vivo, a exemplo do que se passa com o corpo humano, e que as pessoas são o sangue que gira nas veias desse mesmo organismo.
Como em qualquer corpo vivo, para que as coisas possam correr, consigam funcionar, sejam capazes de se desenvolver, é fundamental que haja saúde. Para que haja saúde devem ser tomados os devidos cuidados, sem os quais o organismo vivo – a sociedade, para utilizarmos aqui o paralelismo inicial – não conseguirá nunca equilibrar-se e avançar, segundo o rumo traçado, visando atingir objectivos de paz democrática, de desenvolvimento e de melhor qualidade de vida.
Evidentemente que, sempre que em determinado organismo existe uma dada doença, mais ou menos grave, mas ainda assim não terminal, esse corpo social pode, da mesma forma evoluir com maiores ou menores dificuldades, fazendo sofrer os hospedeiros que o habitam mas, tentando sempre progredir. É o que nos parece que acontece com a sociedade portuguesa.
Em Portugal, no dia 25 de Abril de 1974, rompeu-se com o regime profundamente conservador e tacanho que vigorava até então e institucionalizou-se um novo regime, de feição democrática, com liberdade de expressão, de imprensa, de voto, de feição pluripartidária.
É a partir daqui, e com o decorrer dos anos – das décadas (estamos prestes a comemorar os 50 anos da Revolução) –, que as coisas avançaram, não só porque teriam mesmo de evoluir, segundo o ritmo natural das mesmas, mas também porque, alicerçados numa sociedade dotada de novas característica estruturais, formais e substanciais, tudo, ou melhor, quase tudo foi ou deveria ter sido feito para que os vários sistemas inseridos na nossa sociedade – o político-ideológico, o sistema de justiça, o
sistema de saúde, o sistema educativo, o sistema económico-financeiro, o sistema de segurança social, etc., etc., etc., pudessem melhorar e contribuir para o avanço do nosso desenvolvimento pessoal e social, assim como para a melhoria da qualidade de vida de cada um de nós, em particular, e de todo o tecido social e de toda a teia institucional, em geral.
De lá para cá, nem tudo foram rosas... quer dizer: nem tudo foram cravos, mas, justiça seja feita, e não obstante as múltiplas contradições a que a democracia nos tem sujeitado, o balanço, que desejamos todos olhar como sendo positivio, registou a massificação do ensino, com o qual os vários ministérios da Educação não souberam convenientemente lidar; contou com o alargamento do acesso à habitação social por parte de certas franjas da população em vias de indigência (velha e nova pobreza); contemplou o “boom” das novas tecnologias (não referiremos aqui os seus aspectos nocivos), do qual beneficiam principalmente os mais jovens que as bebem desde o berço e que, portanto, as tratam por tu; beneficiou das aturadas e constantes vitórias da ciência, nomeadamente da medicina curativa (novos e surprendentes tratamentos do cancro, dos problemas cardio-vasculares, das doenças infecto-contagiosas, das doenças respiratórias, do aparelho digestivo, etc., etc.... e... fomos torpedeados pelo cornona-vírus.
Com tudo isto, ganhámos muita coisa e perdemos alguma coisa também. A vida é hoje mais trepidande, mais cansativa. Continuamos a correr cada vez mais, não sabemos muito bem atrás de quê. Existem nuvens negras e intrigantes a pairar sobre a própria economia e já nem os especialistas conseguem descortinar exactamente o que se passa. Como exemplo apontaremos apenas a renitente intenção da banca, de aumentar um sem número de taxas e taxinhas, como quem dispõe dos proventos dos depositantes; um dos executivo cortou em 2 (dois) pontos percentuais a taxa que pagava aos portugueses pela venda de dívida pública (prémio de permanência), o que pode ser interpretado como uma cedência aos mercados secundários; a bolha imobiliária (em finais de 2016) voltou a desembestar, impante... Os empreiteiros e os especuladores não aprendem, mesmo. Decidida e definitivamente, o sacrifício e as correrias, para além de assumirem aspectos bizarros, não são, realmente, para todos.
Perdemos também a segurança e a estabilidade do emprego. Tanto o patronato como os governos tentam impôr-nos mais horas de trabalho e salários mais baixos ou congelados (o aumento do salário mínimo de 2017, pasme-se, recorreu ao mealheiro da Segurança Social), enquanto que o grande capital continua a inchar de lucros, mormente os especulativos. Em 2020, o ordenado mínimo mantém um mínimo miserável. As taxas verdes escondem negras motivações, já que a energia que a Europa importa é produzida por centrais a carvão, logo, os carros eléctricos são uma falácia.
Sem incorrer em pessimismos, a verdade é que a Europa tem permitido a incompreensível invasão de produtos estrangeiros, desprovidos de qualidade e resultado de mão-de-obra infantil, bem próxima da escravatura, o que é contrário aos mais elementares princípios dos Direitos Humanos que a Europa diz defender, e torna vulneráveis as nossas empresas e a nossa política laboral, deitando por terra todo o conjunto de conquistas sociais tão dificilmente conseguidas ao longo desta nossa democracia. Já para não falar no que tem estado a acontecer, em resultado do proteccionismo redutor do presidente dos Estados Unidos da América. Falta abrir os olhos, ganhar coragem e bater o pé. A Europa tem de se afirmar de novo.
NOTA: Neste Verão de 2021, o preço dos combustíveis constitui já um aviltante saque institucionalizado.
sábado, 24 de abril de 2021
SOLDADOS D'ALÉM - MAR
(1961-1974)
Como se não soubessem de que sorte
eram feitos os feitos dos seus dias
marcharam de mãos dadas com a morte
crianças fardadas de aleivosias
São meninos trajados de mau porte
dos berços roubados a mães e tias
tão inermes nas garras do mais forte
preterindo as mais belas fantasias
No mapa da saudade traçam rotas
muitas vezes sem volta nem lonjura
como se da vida tomassem notas
perdidos nos meandros da guerrilha
e sem cessar congraçam a loucura
colapso que nunca mais desfibrilha.
25 de abril de 2021
NOTA:
A revolução de 25 de abril de 1974 não se consumará nunca enquanto forem esquecidos os veteranos de guerra.
Exige-se reforma/aposentação por inteiro, independentemente da idade e do serviço prestado; impõe-se serviço medico-medicamentoso e apoio psicológico gratuitos.
MANUEL BRAGANÇA DOS SANTOS
segunda-feira, 8 de março de 2021
VALERÃO AS VERTIGENS?

Valerão as vertigens desse dia
a chama sensual tida fiança
porque de sol a sol o tempo dança
na rota dos sentidos em folia?
Inermes são na vala sem valia
reféns no lado de fora da hansa
vexados pelo fiel da balança
nas sortes do corpo que refulgia
O mais cruel triunfo das noitadas
é tão fugaz e vão à luz da lua
e cede de repente às madrugadas
de sede dessa tua pele nua
como se p`ra caminhar de mãos dadas
fosse mesmo preciso ter a rua
Nota: Imagem da net
sábado, 12 de dezembro de 2020
ROUPA-DE-FRANCESES*
Tu não és como roupa-de-franceses
porque já me pertences sevilhana
depois de teres dito algumas vezes
me gusta la pulsión lusitana
Diz trapos e farrapos dos soezes
sopros da tua boca mariana
fazer prazer sentido todos os meses
nos dias da loucura mais insana
Tu sabes que te quero à queima-roupa
no fogo de te sabre bem despida
pois nos beijos trocados ninguém poupa
Badiana meu anis-estrelado
aroma tão frutado suicida
serás sempre sem ser o outro lado.
Nota: Roupa-de-franceses - coisas que todos julgam poder utilizar sem licença do dono.
* imagem do Google
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
OLHA BEM
Olha bem a nudez da Primavera
e a sua certeza decidida
o milagre mágico que supera
o torpor de toda a seiva devida
Das flores perfumadas quem me dera
ter uma só de pétalas despida
ao saber que no sonho prolifera
o germe da palavra colorida
O abismo fatal que se desenha
no fascinante papel abissal
pode ser mais ou menos a resenha
ou falha de jamais vir a ser dito
tudo o que no poema mais letal
se calou para poder ser descrito
HISTÓRIAS DA HISTÓRIA
NOTAS DE LEITURA
Sobre
ESCREVER NO PÓ
-- Histórias da História --
ESCREVER NO PÓ – Histórias da História é uma publicação dada à estampa em Janeiro de 2020, pelo professor, poeta, blogger e escritor João Bragança-Santos, a qual tivemos já o privilégio de ler. Trata-se de dez Histórias hábil, histórica e literariamente (d)escritas, onde estão bem patentes, não só o seu talento de homem de Letras, mas também o seu profundo conhecimento da matéria em apreço – a História de Portugal.
Como referiu Foucault, a ligação do presente ao passado deve processar-se em modo de integração progressiva, uma vez que o passado (histórico) é O Chão de todos os Sentidos da humanidade do presente. E João Bragança-Santos torna isso muito claro, quer na forma quer na substância como nos integra nos meandros do seu contar, na vivacidade conceptual do sintagma, nas significações com que nos presenteia os tiques patognomónicos dos reis, dos príncipes e das princesas. A História é sempre muito mais o protagonismo dos tiranos do que a ignorada necessidade dos povos.
O desenvolvimento tecnológico faz parte da História dos Homens, e tem servido, inexoravelmente, para sofisticar a dominação das minorias sobre as maiorias – atente-se nas Novas Tecnologias de Comunicação e Informação –, pelo que, esta oportuna publicação de bolso poderá contribuir também para instaurar hiatos no tempo de viciação e dependência das redes-virtuais-ditas-sociais, em todos quantos tenham o rasgo de a adquirir e ler e reler, furtando-se ainda ao pensamento único, pré-formatado do discurso da propaganda-geral-global veiculado pelos media, sejam analógicos ou digitais.
ESCREVER NO PÓ – Histórias da História, de João Bragança-Santos é uma obra notável, a não perder. Pedidos através do processo que o autor entender implementar.
Em 7 de Setembro de 2020
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Humberto Maranduva



