segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O CHÃO DOS SENTIDOS - LINK PARA A PÁGINA DO LIVRO NO FACEBOOK


- HOSPITAL MILITAR DE LUANDA -

VÍTIMA DA GUERRA COLONIAL, PEDRO CARTAXO TEM DE 

FICAR INTERNADO...



in "O CHÃO DOS SENTIDOS"

Romance Histórico

de

Manuel Bragança dos Santos

https://www.facebook.com/ochaodossentidos?ref=hl

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SEXO E SEXUALIDADE – NOTAS CONEXAS

        A sexualidade foi sempre mais ou menos olhada como algo estranho, misterioso e passível de causar embaraços. Que o digam aqueles que pouca ou nenhuma informação receberam, ao longo das várias etapas do seu desenvolvimento. Quer se queira quer não, a sexualidade faz parte integrante do indivíduo, enquanto ser sexuado, não podendo nem devendo ser ignorada, principalmente pelos pais, educadores e professores. É conveniente que se encontrem bem preparados e devidamente informados, possuindo também a suficiente capacidade pedagógica. Assim, na equilibrada medida das necessidades dos filhos respectivos e dos educandos sob a sua responsabilidade, de forma pertinente, contextualizada e oportuna, poderão estar aptos a prestar os esclarecimentos necessários em cada momento, sem adiantar, seja o que for, para lá do estritamente requerido. Nada deve ser oculto, portanto, na medida da curiosidade manifestada por quem pergunta, porque quer saber.

       A sexualidade marca o homem desde a Antiguidade. Recorde-se a filosofia dos estóicos: esta advogava a fundamentalidade das vivências humanas, sempre estribada, pautada pelas exigências da razão, pelo que o prazer resultante da satisfação dos desejos carnais se converteria em inimigo desse tipo de ideal. Em termos éticos, o homem deveria reunir todas as forças possíveis e impossíveis, no sentido de, sistemática e permanentemente, aniquilar as paixões, libertando-se dos impulsos desregrados, embora instintivos, até ao mais completo paroxismo apático.

         Sobre esta matéria, as tendências e as doutrinas, através dos séculos, sucederam-se sem grandes variações entre si. Tratando-se da sexualidade, todas elas defendiam o mesmo tipo de desconfianças e de medos, sempre associados ao pecado, à culpabilidade e até ao desprezo pelas várias vertentes de um assunto tão assaz comprometedor.

        Mas, o sexo nem sempre foi tabu na generalidade dos contextos histórico-filosóficos: a sexualidade chegou a ser sacralizada pelo mito, o que tornaria o sexo como algo outorgado pelos deuses, visando práticas sagradas.

      Curiosamente, nos nossos dias, a sexualidade encontra-se acentuadamente desconstruída, enquanto função intimamente ligada ao binómio corpo/espírito, matéria/mente, biologia/emocionalidade. Hoje, a sexualidade é olhada, em regra, como algo puramente animal, numa linha de total desprezo pelos valores da afectividade e da vida.          M.B.S. (CONTINUA)
Nota: net pics

sábado, 26 de outubro de 2013

METRO MAL MEDIDO OU... COMEDIDO (HÁ 5 ANOS E 4 MESES)

      Nos últimos dias, o Metro do Porto tem sido, algumas vezes, falado na comunicação social, ainda que nem sempre pelas melhores razões. Vamos começar pela principal, que se prende, como já devem ter adivinhado, com a atribuição do “Light Rail Award/2008”, galardão entregue pela União Internacional de Transportes Públicos (UITP), conforme titulava o "O Primeiro de Janeiro", na sua edição do passado dia 20 de Junho, “para distinguir a criatividade e o design dos sistemas de metro ligeiro no mundo”.

      Não restam dúvidas de que o Metro do Porto é hoje uma realidade, pese embora os fastidiosos anos de espera; evidentemente que a obra em apreço tem constituído uma inestimável mais-valia para as populações do grande Porto, a todos servindo de forma prática, rápida, limpa e sadia; é claro que este meio de transporte veio imprimir um novo ritmo e uma nova imagem ao sistema de apoio logístico integrado à vida das pessoas da capital do Norte e arredores; é indiscutível que o meio físico envolvente das linhas do Metro foi esteticamente alindado, ajardinado, relvado e arborizado, numa nota de desenvolvimento civilizacional digna de registo.

     Tudo isto é positivo, tudo isto nos enche de orgulho, não só a nós, Norte, em particular, mas também a todo o resto do país, em geral, como não pode deixar de ser. De resto, e a talho de foice, recordem-se aqui e agora os prémios arrecadados também por uma outra obra grandiosa, complexa, morosa, mas, altaneira e funcional: falamos do alargamento das instalações do aeroporto de Francisco Sá Carneiro, reconhecidamente um dos melhores da Europa.

     Falávamos, no entanto, do Metro do Porto e das vezes que tem sido referido nos media. Ainda hoje, dia 26 de Junho, data em que redigimos este pequena crónica, lemos num jornal diário que um grupo constituído por quatro jovens se vinha entregando, com a ajuda de várias ferramentas e barras de ferro, ao assalto e roubo dos cofres onde se alojam as notas e moedas, depois de introduzidas na ranhuras das máquinas de venda de bilhetes.

     Se no primeiro parágrafo do presente texto se aponta uma boa razão para que o Metro do Porto seja falado, já aqui o motivo pelo qual o M.P. vem à liça, só nos pode deixar a todos bastante apreensivos. Será que nada escapa à ululante marginalidade que hoje a todos consome e atemoriza?!

     Uma vez aqui chegados, importa agora justificar, ou tão só explicar o porquê do título do presente escrito – Metro mal medido: nem tudo são rosas, principalmente no que diz respeito à componente de comunicação, quando se trata da resolução de pequenos (?!)... Serão mesmo?!... Incidentes, contratempos, verificados no dia a dia da utilização deste meio de transporte. Falamos concretamente do imenso rol de queixas dos utentes, sempre que de forma incompreensível, inopinada e irreversível o andante deixa de funcionar electronicamente. Quando a máquina, pura e simplesmente não entrega o troco ao utilizador que fica mesmo sem ele, porque é impossível provar o facto. Sempre que a mesma máquina engole o preço da viagem e, muda e queda, nada regista no andante nem restitui a quantia paga. Quando se assiste a cenas de pancadaria (alteração da ordem pública) em pleno transporte e não se vislumbra ninguém da segurança e da autoridade para pôr cobro aos desacatos.


     Importa, portanto, medir melhor este metro que, de resto, e não obstante estas notas finais, tem constituído uma importante e decisiva inovação na vida de todos nós.

Nota 1: Texto com 5 anos e 4 meses.
Nota 2: net pics

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

DIALOGISMO EMPÁTICO

      Neste breve texto, direi apenas da necessidade urgente de voltarmos todos ao diálogo, com carácter francamente comunicacional. Por isso mesmo, o ser humano é dotado da capacidade de utilização da linguagem que bebeu com o leite materno. Mas, não adianta falar, falar, falar, se não formos ouvidos e compreendidos; pois, caso contrário, estaremos a falar para as paredes.

     A comunicação só tem razão de ser, se buscar o consenso, se procurar a harmonia, se porfiar na paz, na concórdia, na interacção construtiva, edificante e democrática. Não me alongarei muito.

   Se o homem comunica através da linguagem – falada ou escrita –, conforme comecei por adiantar no início desta curta reflexão, utilizando o código linguístico inerente ao país que o viu nascer, ou outro ainda, de acordo com os hábitos culturais que melhor se coadunam com determinadas práticas interactivas, nomeadamente no campo dos negócios, das relações políticas nacionais e internacionais, da mediação solidária ou das parcerias científicas de cariz investigatório, para além de outras ainda, fácil se torna perceber que o diálogo que se tem estabelecido no sentido da persecução de todo este conjunto de desideratos, tem vindo a enfermar, aflitivamente, de uma síndroma preocupante, que se traduz numa multiplicidade de estapafúrdios sinais aos quais devemos prestar a máxima atenção. Estes têm a ver com uma clara tendência para uma espécie de narcisismo absoluto primário, por parte das pessoas ou, por outras palavras, para uma cada vez maior umbilical deriva, redutora do são convívio familiar, comunitário, institucional, fazendo perigar mesmo a coesão social e a própria democracia.

    O Dr. Jacques Lacan (1901-1981), nos últimos cinquenta anos da sua vida, viria a trazer um contributo fundamental à análise dos distúrbios de dominação egocêntrica da humanidade, ao definir o inconsciente como algo assente num quadro simbólico semelhante ao da linguagem. Para este cientista, a palavra, enquanto símbolo linguístico, só tem razão de ser a partir do momento em que diz algo ao outro e é aceite socialmente de forma tácita. Sem o outro, a quem se dirige num ping-pong construtivo, não há comunicação nem subjectividade, uma vez que existe uma convenção explícita, assente na simbologia adoptada e que é comum aos falantes dessa mesma linguagem.

   A partir dos vinte e quatro meses, mais ou menos, as necessidades de sobrevivência da criança começarão gradualmente a ser satisfeitas, já não por meio de automatismos instintivos que o egocentrismo absoluto primário garantia através da ligação materna (fase oral e sádico-anal), mas através da representação simbólica em objectos da realidade. Este fenómeno, apenas apanágio do ser humano, conduzirá o desejo da criança ao encontro do desejo do outro, sem choques aparentes, porque no seio de um ambiente familiar ideal: psicologicamente equilibrado, afectivamente harmonioso, emocionalmente participado, a palavra mediará o encontro dos desejos, com carácter de racionalidade ponderada e de viabilidade devidamente ajustada, ao contrário do que se passa no mundo selvagem.   Afastemo-nos deste, enquanto é tempo... 



Nota: net pics

domingo, 29 de setembro de 2013

“O CHÃO DOS SENTIDOS”


   O Romance Histórico O CHÃO DOS SENTIDOS, de Manuel Bragança dos Santos, versa, diegeticamente, a história da Resistência ao regime de Salazar, num enquadramento estrutural da acção narrativa com início em Paris, no ano de 1890, estendendo-se a mesma pelas atribuladas décadas seguintes, já no nosso país, e depois em Angola (guerra colonial), até finais de 1976, enquanto a Democracia se ia consolidando em Portugal...

     Assiste-se, nomeadamente: às estratégias salazaristas de manutenção do poder; à persistente luta da Resistência anti-fascista; à propaganda de Ferro; à acção da polícia política (PIDE); ao espectro doTarrafal; à fuga de Cunhal da prisão de Peniche; à saga de Humberto Delgado; ao labor de Mário Soares e à génese do Partido Socialista; à Primavera Marcelista; ao 25 de Abril.

    O Romance O CHÃO DOS SENTIDOS revisita também o sucesso (entre as duas Grandes Guerras) dos minifúndios agrícolas do Norte (quintas), em Castelo de Paiva, onde, apenas a troco do “terço” das colheitas, famílias enormes de feitores e caseiros, de pés descalços, trabalhavam a terra de sol a sol, com pouco mais do que as enxadas;

  Ademais, revela o curioso embrião de um certo empreendedorismo proletário ou como se iniciou a exploração de inertes, na margem esquerda do rio Douro, na década de 1950, até ao colapso da ponte Hintze Ribeiro, em 04 de Março de 2001;

      Projecta ainda o singular filme das memórias intactas, das férias grandes (anteriores às décadas da consolidada indústria do turismo nacional), vividas em Pardilhó, no Furadouro e na Torreira; a travessia da lancha entre a Bestida e o cais da Torreira, a contemplação da arte Xávega, a apanha do moliço na Ria, e a gastronomia típica das enguias...

      Entre muitos outros referentes, cujo significado narrativo dá corpo conceptual, cor e ritmo à linha discursiva formal (significante) da obra, o romance histórico O CHÃO DOS SENTIDOS desvenda ainda, desde a sua génese, os projectos inovadores dos Colégio da Estrela (meninas), adquirido em 1916, e rebaptizado pelos Pardilhoenses Padres Albano Resende e Germano Pinto, depois da sua aquisição, em 1928, de Colégio de João de Deus (rapazes), no Porto, até ser comprado pelo Ministério da Educação, de Veiga Simão, em 1973.

      Por último, uma alusão a dois dos heróis Resistentes, Luís e seu filho Ricardo, que, incapazes de acompanhar a História do tempo que é o deles, soçobram frustrados através do tempo da história.

Em 29 de Setembro de 2013

Manuel Bragança dos Santos




quinta-feira, 26 de setembro de 2013

POMBA E LEOA


Imagem do Google
Sinto no rosto o suave vento
das tuas asas de ave branca

Tu és pomba imaculada
sem deixares de ser leoa
tão felina como o odor
com que me envolves
tão maligna como o amor
com que me dilaceras

Tu és a leoa que inventei
sem deixares de ser a pomba
que cruza a atmosfera do sonho
ao encontro da perplexa rota da ventura

Pomba e leoa leoa ou pomba
quero que permaneças poema
por seres luz e sangue e dor
um suave vento no meu rosto
o selvagem cheiro do amor

25/12/1998

Manuel Bragança dos Santos
          in O Rumo e o Sonho 
              Fólio Edições 2001





segunda-feira, 23 de setembro de 2013

NADA MUDOU EM DOIS ANOS!

      Na segunda sexta-feira do décimo mês do transacto ano de 2011, a RTP entrevistou o grande António Lobo Antunes. Que prazer, meu Deus, ouvir falar homens como ele! A entrevistadora eclipsou-se, enfim... A estação pública não conta com grande elenco jornalístico, de resto, mas, neste caso, ainda bem, porque pudemos todos (?!) assistir a uma espécie de monólogo de confidências avisadas e sábias, entre outras coisas, sobre a cultura que o poder despreza; a escrita original, inventiva e criteriosa que a educação persegue... Mellhor dizendo – hostiliza; a criatividade e o talento que a comunicação social ignora ou combate.

         Nesse mesmo dia, 14 de Outubro de 2011, os três canais generalistas nacionais de televisão dedicaram os seus tempos noticiosos à divulgação de mais uma bomba fragmentária da economia nacional; outro tanto fizeram os respectivos canais noticiosos, tendo para o efeito chamado os vários oráculos nacionais, para comentários meramente flutuantes, condicionados, contidos e medíocres, sempre desinseridos do real contexto global em que tudo isto se plasma.

      Ainda nesse dia, sexta-feira - 14... Que sorte 13 ter sido na véspera!... A RTP2 iniciou um conjunto de episódios sobre os bárbaros acontecimentos ocorridos durante o gigantesco conflito armado despoletado por Hitler e Estaline, essa dupla macabra que, em meia dúzia de anos, viria a mudar drasticamente o rumo da História, ao nível planetário.

        No dia seguinte, sábado - 15, pude observar, nos jornais televisivos das 20 horas, as dramáticas marchas, ditas de indignação, em praticamente todo o mundo, onde os que nelas participam, e muitos outros, por certo, ainda que ausentes, protestam contra os sórdidos e brutais ataques dos mercados – “Goldman Sachs”, “Deutsch Bank” e outros megabancos –, visando as indefesas economias dos países mais vulneráveis, sem apelo nem agravo.

     A hipocrisia comburente do turbo-capitalismo-selvagem prossegue inexorável, cínica, corrosiva, aniquilando tudo e todos, de forma inicialmente lenta e gradual; desdobrando-se numa multiplicidade de acções cada vez mais progressivas e rápidas com o correr do tempo, diferindo apenas dos métodos e estratégias nazis, no que diz respeito ao subreptício, gradativo, subtil e difuso engenho de que se serve para operar.

       Hitler e Estaline eram broncos, brutos, crueis, grosseiros, sádicos, criminosos, abomináveis, rápidos e letais, mas, no fundo, pretendiam o mesmo que os mercados hoje buscam, porque, salvaguardadas as distâncias temporais e ideológicas, aqueles queriam dominar o mundo através da usurpação de coisas tão simples e fundamentais como a liberdade, a coesão social, a independência e autonomia pessoais e económicas de cidadãos e países, fossem eles quais fossem; estes têm vindo a espoliar esses mesmos países e cidadãos exactamente do mesmo, através, como já disse, de processos diferenciados, mas que desembocam na mesma fétida e repetida cloaca do execrável “déjà vu”, agora reinventado, de um renovado e decadente esclavagismo, civilizacionalmente deplorável e retrógrado.

NOTA 1: Estaline viria a juntar-se aos Aliados, precocemente, para o bem e para o mal, depois de traído por Hitler.

NOTA 2: net pic.