Imagem do Google |
Em
termos psicanalíticos, objecto significa algo ou alguém,
este, total ou parcialmente considerado, concreto ou conjecturado,
que satisfaz o investimento pulsional. Já a percepção
aponta para a tomada de consciência, através dos
sentidos, dos objectos ou das interacções factuais que
nos integram. Tudo estaria bem se fosse sempre assim. No entanto,
podem verificar-se percepções sem objecto, isto é
falsos registos perceptivos sem o estímulo de objectos
exteriores, pessoais ou materiais.
A
percepção sem objecto responde pela conhecida
designação de alucinação,
sendo
a mais habitual aquela que leva o doente mental, normalmente o
esquizofrénico-paranóide e o asténico a escutar
“vozes” que atormentam o indivíduo, falando com ele, sobre
ele, dando-lhe ordens, desdobrando os seus pensamentos ou
decalcando-os. Nestes casos, o (im)paciente desconhece ou confunde a
origem (interna ou externa) de quem lhe fala, mantendo a convicção
da efectividade da sua percepção.
Para
além destas, podem ocorrer alucinações que o
doente regista por meio dos restantes órgãos dos
sentidos – da visão, da apalpação, do olfacto,
do paladar, chegando mesmo a haver sobreposição de mais
do que um dos sentidos, deixando a pessoa prostrada e confusa. Mas é
a alucinação pelas vozes, aquela que mais perturba o
indivíduo afectado, levando-o a manifestar-se com
agressividade, protagonizando comportamentos compulsivos ou, até,
respondendo às acusações ou às ordens,
aparentemente, recebidas.
Há
gente saudável que também experimenta "alucinações",
normalmente quando está prestes a conciliar o sono, ou na
altura de acordar (estados de rêverie), embora as deste tipo não revistam
preocupação de maior. Ao longo do sono podem ocorrer pesadelos, sonhos ou casos de sonambulismo, mas estes têm origem em automatismos inconscientes, desligados da actividade perceptiva e da motricidade voluntária, não sendo, portanto, alucinações.
Problemáticas são as alucinações que afectam os doentes mentais e as pessoas que enfermam de afecções cerebrais. Estas, podem estender-se entre a alucinose – onde a consciência se mantém acesa - e a obnubilação da mesma, precipitando este último fenómeno o delírio alucinatório: este induz uma explicação desgarrada, extraviada ou distorcida dos objectos, aparentemente, percepcionados.
Problemáticas são as alucinações que afectam os doentes mentais e as pessoas que enfermam de afecções cerebrais. Estas, podem estender-se entre a alucinose – onde a consciência se mantém acesa - e a obnubilação da mesma, precipitando este último fenómeno o delírio alucinatório: este induz uma explicação desgarrada, extraviada ou distorcida dos objectos, aparentemente, percepcionados.
As do sono, habitualmente designam-se pesadelos...
ResponderEliminarJá vi a minha irmã muito encolhida na cabeceira da cama, de olhos abertos, afirmar que havia cobras aos pés da cama...
Era criança, mas a fobia pelas cobras irá durar uma vida.
Também vi o meu irmão delirar com febre, vendo heróis dos livros de quadrinhos... mais tarde, tornou-se um grande leitor.
Ótimo fim de semana.
Um abraço.
~~~~
Gostei de ler. Um texto muito interessante. Dá que pensar..Uma realidade.:))
ResponderEliminarHoje:- És a bebida que sorvo em mar deserto.
Bjos
Votos de uma óptima Sexta - Feira
Há pesadelos tão "pesados" que provocam verdadeiras alucinações.
ResponderEliminarRecordo-me de uma vez, tinha os meus 15 anos, em que tive um pesadelo tão "verdadeiro" que me levantei da cama a correr e fui abraçar-me ao meu Pai, a tremer. E não foi fácil ele acalmar-me. Não me lembro exactamente do que era, mas lembro-me que lhe dizia, meio a soluçar: Papá, aqueles homens queriam te matar.
Também já assisti ao meu filho com delírios da febre altíssima (acordado) e o meu Pai, muito doente, com delírios provocados pela morfina que o médico lhe dava para as dores. Meu pobre Pai, nesses momentos tratava-me por "Mãe".
As alucinações que o amigo refere no seu texto (excelente!) são doutro género, eu sei. São especialmente provocadas por doença mental. Esses casos são bem piores...
Estou muito grata pela presença na festa de Aniversário do meu “pimpolho”. Ele gostou muito de o ver lá… 😘
Obrigada!
Bom final de Domingo e boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS
Mariazita, gostei da paisagem alentejana e do soneto da Florbela Espanca. Como não consigo publicar o meu comentário no seu blogue, aqui fica o mesmo: Florbela Espanca, a sublime poetisa dos grandes e sofridos espaços, das enigmáticas angústias vertidas em versos prodigiosos. Ou, a relação tangível mas indizível entre a criatividade artística e a dor mental, plasmada através da beleza conseguida, ímpar dos seus sonetos, soando como elogios do fragmentário.
EliminarUm abraço!
O que você sabe de psicanálise, meu Amigo! Realmente já tenho sabido de casos se pessoas que veem coisas e ouvem vozes. Dantes custava-me a acreditar. Mas é uma realidade preocupante. Gostei de o ler.
ResponderEliminarUma boa semana.
Um beijo.