terça-feira, 22 de maio de 2018

O CIÚME



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        Segundo a moderna psiquiatria, existe uma correlação aproximada entre certos tipos de doenças – aquelas que, nos nossos dias, mais preocupações têm trazido aos sistemas de saúde ocidentais – e a respectiva sintomatologia verificada. Deste modo, as perturbações afectivas denotam alterações de humor; as maleitas esquizofrénicas provocam deformações do pensamento; as afecções neuróticas potenciam a ansiedade; as perturbações sociopatas levam a dificuldades de integração e pertença social; as enfermidades orgânicas prejudicam a memória e, por último, a estagnação ou o atraso mentais comprometem o desenvolvimento intelectual.

     Mas é de ciúme que pretendemos tratar no presente escrito. Este primeiro parágrafo, ainda assim, remete-nos para um conjunto de doenças cujos enfermos que delas padeçam, mais do que outros quaisquer, podem manifestar, no âmbito das suas vidas conjugais, ciúmes mórbidos. Estes indivíduos, no dia-a-dia, alimentam suspeições insuportáveis relativamente à mulher ou à namorada, e vão tecendo quadros alucinatórios de infidelidade e traição, com os quais vão lidando disfuncionalmente.
    
     Esta falta de confiança na companheira, revela também sintomas paranóides de uma personalidade depressiva, para além da total ausência de amor-próprio, de auto-estima, e de afirmação e conformidade sexualmente saudáveis. Assim, bombardeiam a mulher com perguntas ardilosas e recorrentes. Se as respostas não lhes agradam, então, está o caldo entornado! Eles andam a ser enganados. Importa, agora, vigiar as saídas dela, os telefonemas, as idas às compras; passar a pente fino a carteira esquecida em cima do sofá da sala, agora, que ela está a tomar banho. Ah!, as cuecas ou o sutiã, não vão estes conter manchas estranhas ou o perfume do outro!...
    
     Uma nova estratégia maníaca pode contemplar várias relações sexuais durante as vinte e quatro horas do dia, pois isso talvez a sature e impeça de ceder perante o amante; ou, então, a perturbação do indivíduo pode levá-lo a tentar afogar as suas mágoas no álcool, o que acaba sempre por piorar a situação. Podem sobrevir os delírios paranóicos e, nestes, a presunção de que os filhos não são seus, mas do(s) amante(s), ou, pasme-se, que a companheira anda a tramar o seu envenenamento.

            Em casos deste tipo – e não estamos a adiantar nenhuma ficção –, têm-se verificado, nos últimas décadas e cada vez com mais incidência, várias dezenas de assassinatos, seguidos ou não de suicídio. Quando não se suicidam, por norma, entregam-se rapidamente às autoridades policiais, manifestando estados de espírito diversos, mas sempre deploráveis, porque denotam uma complexa mas sempre execrável miséria moral.

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