quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

TRÁGICA DERROTA


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Não sei por que te despenhas 
na ravina da indiferença
no barranco do abandono
nas falésias do desprezo
num espartilho de penumbra 
que o tempo dilacera

Comigo viajas sempre
na linha dos sentidos
percorrendo o torvelinho agreste 
que o silêncio me grita

Sinto o desespero gelado
nas mãos vazias 
sempre que agarro o medo
ou faço sucumbir a solidão
mitigando imagens fugidias 
por entre os dedos trémulos

Sinto que me acenas 
do fundo do flagelo
tentando pôr fim a tão trágica derrota

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

BÚZIOS DE SILÊNCIO



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Nem mesmo no poema 
direi de ti todos os segredos

Mesmo aqueles que ribombam
ecos sem sentido
na transparência da palavra 
cruelmente ofuscada
à mesa de sombrios delírios 
serão búzios de silêncio
pavor e desespero 

Já subi todas as colinas 
serras e montanhas
promontórios e ravinas 
para te dar o Sol de cada dia
na alma que procuravas 

Resta-me triturar nos lábios 
o abandono destes dias 
a dor
o queixume
a fantasia de quem bebeu o rio
verde da quietude
e hoje entardece
no mar do desassossego

Nem mesmo assim
direi de ti todos os segredos

domingo, 30 de novembro de 2014

COMO SE NADA FOSSE




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Como se nada fosse
anunciaste o silêncio

Sinto a tua seiva na garganta
redimindo a sede de infinito
como se o sonho ou o sobressalto 
fosse a luz que embriaga a distância

Nenhuma outra flor ou fruto
tranquiliza a delirante insónia
do vazio que hoje grito
em torno da chama do poema
que incendiavas nas pétalas da palavra
no centro da corola do teu corpo
nas labaredas dos sentidos 
na fúria do tempo consumido

Nenhuma outra flor ou fruto
sustenta em mim 
a eternidade da memória



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

(A)MAR


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Nem eu sei se já nasci
nas evocações nos presságios no assombro
por entrever a última origem das coisas
na alma da natureza no cosmos
no absoluto na poesia no mito
no corpo da liberdade
na fénix renascida
na revolta do meu grito

Ocupas o infinito ainda e sempre
no meu juízo sem noite nem dia
na liberdade do destino
na vida da morte de mil cores
na força da fraqueza
na ânsia do prazer
no êxtase do tormento

Nem eu sei se já nasci
embora possa soletrar
neste muro de silêncio
a força da palavra (A)MAR

domingo, 16 de novembro de 2014

DESVELO



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Dormes serena ao meu lado

Repousa a tua nudez
satisfação de penumbra
na plenitude corpórea
da densidade das formas 
nesta paz de sermos dois
numa só alma de luz

Dormes serena ao meu lado

Meu horizonte de espanto
meu silêncio sublime
meu desvelo absoluto
rio por ora liberto
meu desvario impoluto
mar amor fonte de vida
connosco fica o segredo
de te saber renascida

Dorme serena ao meu lado

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

RETRATO



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Revelei o teu retrato
ninguém mais pode fazê-lo

No fundo o mar o vento
nos teus cabelos o tempo
no teu olhar as marés
o teu corpo nos rochedos
barco à vela no meu peito

Revelei o teu retrato
ninguém mais pode fazê-lo

Os teus seios à deriva
são ilhas de branca espuma
são dunas de seiva pura

na enseada do teu ventre
nas amarras dos teus membros
para sempre fico ancorado
tão bela de seres quem és

Tu inundas toda a praia
sabes que estou a teus pés

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

HOLÍSTICO ABSTRACTO CORPO





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Criação estética minha
holístico abstracto corpo
vida distante subjectivado eros
desejo interiorizado de alma

Nostálgica aspiração 
remate utópico
existência sensual de fruição
sensível experiência lírica

Holístico abstracto corpo
meu frágil e inacabado momento
dissonância metafísica
afectiva esfera imanente de sentido
criação estética minha...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

IDEIAS ESCRITAS



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O escritor serve-se da consciência para dominar os acontecimentos, expondo a sua visão do sentido do mundo, não permitindo, portanto, que aqueles possam pautar um qualquer  sentido oculto... 

Humberto Maranduva

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

EXCERTO

"(...) Naquele tórrido dia de Verão, por volta das três horas da tarde, Isaura Albuquerque Lima, estudante do 4º ano de Medicina, guardava, no seu pequeno saco de praia, a toalha, o biquini encarnado, o protector solar, uma garrafinha de água, a merenda, o passe dos Transportes Colectivos do Porto e o livrinho "O Primo Basílio", de Eça de Queirós; Nos olhos, os "Ray-Ban" da moda, e, na cabeça, um gracioso chapéu de palhinha fina. (...)"

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in, "A Paixão e Ressurreição do Soldado" - Versbrava - 2014

Pedidos da obra, através de mensagem privada do Facebook do autor: https://www.facebook.com/manuel.bragancadossantos


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

NO LIMIAR DO DESEJO





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No vento o sopro de fugidias arestas
sons de folhas a pulsar no horizonte
palavras sussurradas no limiar do desejo
melodias ausentes no interior dos dias

Um corpo de mulher no ocaso das horas
a magia alucinada na vertigem de te ver
a pura evidência na ternura dos teus gestos 
a fragrante delicadeza do perfume da flor

A luz do silêncio à boca das palavras 
a oscilação dinâmica da mais subtil convergência
a vibração do ser absoluto e latente 
na nudez tremeluzente do teu ser

Assim caminho para além da substância 
num permanente regresso ao fogo inicial
por ser o espaço e o tempo indizíveis
o mais secreto instante de pureza inabalável  

domingo, 21 de setembro de 2014

RIA DE AVEIRO

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Derreada ria
poema latente
discreta melodia
esforçado júbilo
espelho meu
oscilante desejo 
plúmbeo lençol agreste 
refulgente sonho argentino
no abandono das marés

No âmago do teu seio
aprisionas o tempo
aceso na memória 
de um outro tempo

Liberta-te das horas 
que já não contam 
aflora a emergência de sempre 
ancorada no anseio primordial
indelével memória inexorável 
irrepetível una irreprimível
discreta melodia 
poema latente
derreada ria
espelho meu...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ESTRELA

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Plantado na paisagem
busco a estrela da magia
vislumbrando a tua imagem
quer de noite quer de dia

Sou um barco a vogar
sob a chuva que me gela
minha estrela vai brilhar
há muito espero por ela

Ei-la enfim no firmamento 
tão perto e tão longe afinal
oh que doce encantamento 
ninguém mais lhe fará mal

E tu Terra és testemunha
após ao Sol teres dado volta
eu minha vida depunha
pra minha estrela ser solta

terça-feira, 26 de agosto de 2014

PORFIA

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Não sei mais o que te diga
não sei mais o que te faça...

Faz dos versos os sentidos
dos silêncios madrugadas
dos nossos passos perdidos
o brilho de mil espadas

terça-feira, 12 de agosto de 2014

QUERO-TE

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Quero-te deusa despida de virtude
tão bela e minha e nua
como se fosses o sonho
de um só desejo por navegar
de uma só água ou olhar
perdida na antiguidade obscurecida
da memória

Quero-te ainda e sempre evocação
de ninfa que nimbo inerte
tão só por mim esculpida
junto à ânsia de te ver
mármore
tão leve e verde e móvel
erguida em plenitude
cerce o desejo de voar
In "O Rumo e o Sonho" - Fólio Edições - 2001

segunda-feira, 30 de junho de 2014

MAGIA

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Dá-me o sol ouro verde desse olhar
meu farol aceso na madrugada 
vem pura como a neve imaculada
na minha alma sempre vais morar

És campo de milho pomar frescura 
és rio mar meu anjo redentor 
galáctico por ti é meu amor 
cadinho incandescente de ternura

São de dor os hiatos temporais 
ausências tenebrosas por demais
não vens falta-me o ar por que respiro

Se chegas apagas a luz do dia 
envolto em doce manto de magia 
solta meu coração louco suspiro

sábado, 28 de junho de 2014

DE PERNAS PARA O AR

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O Sistema Educativo, para já não falar do Sistema de Justiça e do Sistema de Saúde, reflecte, tal como os dois sistemas a seguir nomeados, a possibilidade de evolução positiva de uma dada sociedade; mas pode, também, determinar o estado de decadência dessa mesma sociedade. É isso que se tem passado no nosso país, maioritariamente, desde o tempo de Sócrates e Lurdes Rodrigues.

O tratamento aparentemente persecutório de que têm sido alvo os professores; os salários baixos, tendo em conta as diatribes de que têm sido objecto; a perda de estatuto e de papel; as sevícias a que têm estado sujeitos: basta recordar o sistemático desinteresse dos alunos e o seu mau comportamento e total ausência de decoro, boas maneiras e noção de pertença comunitária educacional; a ignorância e falta de respeito, por parte da sociedade, cada vez mais alienada pelo supérfluo que os media espectacularizam diariamente...

Os governos têm procurado o caminho do facilitismo, diminuindo o grau de dificuldade dos curricula e dos exames nacionais, para que seja possível exibir resultados rápidos para a Europa. Assiste-se, assim, a um nível de ensino público muito baixo, à banal introdução das novas tecnologias (computador magalhães) e à completa desconsideração da figura modelar do professor. Um exemplo apenas, escandaloso e desumano, mas candente: professores com cancro, em fase terminal, obrigados a trabalhar; associações de pais demasiado intrometidas nas escolas; estas têm agora o rosto de armazéns -- lugares onde os pais despejam os filhos até as 19 horas, esperando que os docentes sejam uma extensão da parentalidade...

Mas há mais: a execrável violência dentro das salas de aula, que passa impune, logo, sem consequências. Repare-se ainda: os professores de escolas de bairro com maus resultados escolares são os mesmos que dão explicações aos filhos dos ricos que frequentam colégios privados e que demonstram bons resultados anuais! Por último, embora pudesse continuar... A avaliação dos professores e  a burocratização do sistema torna tudo pior, obrigando os docentes a fazer o impensável, isto é, tudo o mais, menos E-N-S-I-N-A-R, que é aquilo para que estão efectivamente habilitados. 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

PRECE

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Tu sorris como um sol que resplandece
déjà-vu cem mil vezes renovado
desperta arquétipo sempre sonhado
ouve luz esmeralda a minha prece

Deixa-me ser só eu o teu império
força de vida amor e sedução
sempre pura divina e sem traição
envolve-me em teu manto de mistério

E seguindo na senda da verdade
vem sem lugar sem tempo sem idade
Romeu e Julieta são "história"

Já tudo o mais se perde na matéria
com o tempo tornada vil miséria
amor somos nós dois reza a memória

domingo, 22 de junho de 2014

CHILREIO DE ANDORINHA



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Eu sei que sou só teu de mais ninguém
tu já soubeste um dia ser só minha
então bebemos o néctar da vinha
que fora semeada no além

Ao chegares prendeste-me como alguém
que trouxe no seu porte de rainha
novo alento à minha alma sozinha
beleza que no mundo ninguém tem

No teu corpo a Primavera continha
o encanto do chilreio de andorinha
o perfume do teu ventre de flor

Sinto no peito a chaga da loucura
esta dor de ficar sem sepultura
se não vens procurar-me meu amor

domingo, 15 de junho de 2014

CONTEMPLAÇÃO

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Fito em ti o meu olhar
e o tempo devagar
cessa todos os delírios

Bebo em ti a seiva pura
como se o fim da tortura
que se derrete nos círios
fosse luz ou sinecura

Nos teus braços de infinito
quebro as grilhetas do medo
desenhando no meu grito
as sombras do teu degredo
os brilhos com que te cito

Pulsam febris emoções
nos teus seios à deriva
voam nos céus ilusões
no atar da  recidiva
como se meras paixões
dessem sentido à vida...



quarta-feira, 4 de junho de 2014

PENITÊNCIA DO MEDO



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Acolhes o medo em alvoroço
nos despojos do Sol que se apaga
na praga das cismas e das cinzas
que te fazem supor castigos e canseiras
e tragédias que o pesadelo encarna
nos dias soturnos tecidos de pressentimento

O amor é sempre uma construção
uma luta uma vitória
a harmonia dos contrários 
a malha que tece o ser
a remissão da alma para lá dos instintos

O amor que me ensinaste permanece
suspenso como um pássaro de bruma
sobre o mar estagnado do tempo
pronto a aniquilar a penitência do medo

terça-feira, 3 de junho de 2014

ILUSÓRIO HOJE

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Hoje...

Também as estrelas me falam de ti
sempre que viajas no firmamento
na luz do sonho que a noite afaga

Resplandece o Sol do teu sorriso
auroras e crepúsculos
e zénites de pujança natural
na lava incandescente dos sentidos

É de noite que chegas
envolta no fogo cósmico da paixão

E é de noite que parto
tentando só por ti
resgatar a ilusão

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O FUTURO ESTÁ NA HORA

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Dizía-nos, há dias, com a desolação estampada no rosto, um conhecido nosso, com quem, amiúde, costumamos conversar, desde há largos anos a esta parte, principalmente sobre política, que está cansado, farto, saturado, irritado mesmo, de/por andar a ouvir desde a sua tenra idade, que é necessário, indispensável, fundamental fazer sacrifícios, porque a vida sempre esteve, está e, se calhar, estará, «sine die», pela hora da morte.

O cidadão a quem fazemos alusão, diga-se de passagem, terá sido sempre (garantia sua) um fervoroso defensor do partido rosa, muito embora tenha sido levado pelos pais, ainda muito criança, para as distantes paragens onde aportou, em 1482, o navegador português Diogo Cão. Depois do Tratado de Alvor, que viria a precipitar a fratricida, devastadora, e aflitivamente longa guerra civil em Angola, o nosso amigo viu-se obrigado a se refugiar no seu país de origem, isto é, em Portugal.

Dizía-nos, há dias, com a desolação estampada no rosto, que passará a votar em branco, para que saibam que não dará nunca mais, nem a certeza, nem o benefício da dúvida, a nenhuma cor partidária, afirmando, reafirmando e confirmando, desta maneira, uma espécie de daltonismo político-partidário que, em termos de resposta face ao comportamento dos mentores desta democracia que há quarenta anos nos empurra para o abismo, se lhe afiguram desprovidos de qualquer coloração mais ou menos viva, mais ou menos equilibrada, mais ou menos esperançosa.

Enfim! Nunca fomos tão radicais como este nosso conhecido. Nem na hora frenética ou épica (assim parecia) das vitórias rosa; nem na altura que propiciou os festivos e inebriantes cortejos laranja; nem ultimamente, no actual enquadramento de brilhos incansavelmente reflectidos numa multiplicidade de espelhos que se vão deslocando, sempre no encalço de luzes artificialmente criadas. É que somos dotados dum natural optimismo sensato, que nos leva a afirmar agora, mais do que nunca, de que O FUTURO ESTÁ NA HORA!

Permitam-nos, então, o seguinte raciocínio... de leigo na matéria, naturalmente. Goradas que estão todas as morosas e difíceis conquistas do operariado ocidental, conseguidas ao longo do século XX, face aquilo que viria a ser designado por globalização, caracterizada esta pelo implacável avanço concorrencial da atabalhoada e pouco criteriosa força de trabalho dos países ditos emergentes que, afinal, exploram uma mal disfarçada escravatura, vá de nivelar tudo por baixo, cruzar os braços, ceder, acabando por dar, no fundo, uma imagem de impotência, de incapacidade e incompetência que os outros cada vez mais aproveitam, neste atribulado início do terceiro milénio.

«Anestesiados» face ao elevado preço do crude -- que responde assim à desvalorização do dólar -- que a Europa paga em euros super valorizados - o que nem é tão mau quanto isso -, neste particular, os líderes (?!) comunitários estão mais preocupados com a inflação do que com a fome, com o desemprego ou com a desagregação social. De qualquer maneira, o adormecimento da economia e, cá dentro, as subtracções operadas pelo executivo, nos parcos proventos dos cidadãos, têm reduzido drasticamente o consumo, não obstante o sobreendividamento das famílias e da banca (são facas de dois gumes), o que tem conseguido manter equilibrada a balança da oferta e da procura (tem mesmo?!), apesar da alegada diminuição das reservas petrolíferas... Bem! Angola, Brasil e Venezuela têm descoberto novos poços. Enfim! Tanta especulação só pode ser isso mesmo. Se a vida se faz já em «slow motion», a que se deve, afinal, a lânguida psicose dos nossos dias?! Explicar-nos-emos melhor num próximo escrito. Por agora, não esqueçamos que O FUTURO ESTÁ NA HORA.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

SOL DE DESEJO

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Com a mão férrea da vontade eu sei
as construções erguidas de ilusão
que a realidade mistifica em vão
castelos onde mais ninguém é rei

Fizemos do sonho rumo na lei
que Deus mostrou por pedra na missão
que fluida persevera de intenção
no regato da lua que te dei

Entre Céus e Terra permanecemos
ainda que no céu que já não temos
possa brilhar um astro de mil cores

Que só é se não for o que tu fores
esse Sol de energia fulgurante
que na Terra persigo anelante

in "O Rumo e o Sonho" - 2001
Fólio Edições

segunda-feira, 26 de maio de 2014

DISSERAM SOCIEDADE EDUCATIVA?!

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Muito se tem dito e escrito sobre a moderna sociedade educativa (?!) e, como não podia deixar de ser, sobre o papel do professor, enquanto foco primeiro de todo o sistema educativo; figura de proa do quadro referencial, não só alargado, mas também específico da dita sociedade educativa, devendo, ao mesmo, ser reconhecido o papel de principal autoridade na matéria, através da revalorização urgente do seu estatuto profissional (tem sido feito o contrário), para que seja possível tanger o desiderato do real progresso social e da compreensão atilada a respirar entre os diversos sectores da sociedade dos povos, na persecução do atenuar das estratificações e injustiças que frustram as gentes.

Evidentemente que tal objectivo não pode ser alcançado sem os meios de trabalho que, da forma mais correcta, propiciem a pertinência de um projecto com características tão particulares e envolventes. A escola não dispõe desses meios no momento actual, nem poderá contar com eles nos anos mais próximos. A situação, a este nível, tem sempre assumido, vá-se lá saber porquê, contornos de aviltante fatalidade.

No fundo, a ideia que hoje paira no ar, no sentido de inverter o rumo dos acontecimentos, e que dificilmente se tenta implementar, porque exige vontade política e verbas astronómicas, é a ideia reflectida por aquela já velhinha expressão popular de que todos ouvimos falar - "aprender até morrer" -, e que desemboca no conceito bem actual, e tão gostosamente importado dos países europeus civilizados, da chamada sociedade educativa, no seio da qual é previsível vir a tirar partido, de feição pedagógica, dos vários espaços da vida do quotidiano, sejam eles de cariz social, cultural ou económico.

Nesta medida, tem sido tentado, por meio da legitimação de tais conceitos, exaustivamente agitados, e de alguma legislação atinente, nem sempre devidamente enquadrada, firmar convénios, contratos e parcerias com associações culturais, empresas e outras agremiações, para que a escola seja financeiramente apoiada pela sociedade que, afinal, serve.

Longe de nós negar o alcance ideal de tais projectos, aliados, de resto, à incontestada necessidade, sempre acrescida, de actualização de saberes e competências da classe docente, mas, para isso, e no interesse integrado da sociedade educativa, devem ser criadas condições de frequência dos respectivos cursos de formação e de enriquecimento de conhecimentos, sem que se verifiquem choques com as horas normais de leccionação, ou prejuízo dos períodos úteis, humanamente imprescindíveis, de distensão dos profissionais do sector.

Pensamos também que o actual e tão propalado afã de colectivizar o desempenho docente, não traz benefícios palpáveis ao sistema educativo, nem às aprendizagens dos alunos, dado que a investigação, o estudo e até mesmo a leccionação são demonstrada e manifestamente tarefas que devem ser individualizadas, embora se possa, por vezes, trabalhar em equipa, apenas para que a troca de impressões e o relato posto em comum, de experiências de carácter pedagógico, possam ser aproveitados para o desenvolvimento de atitudes alternativas ou complementares, em contexto de sala de aula.

Vistas bem as coisas, no âmbito de toda esta importante problemática, e de acordo com aquilo que se passa hoje ao nível da produção legislativa, também em função dos registos daquilo que se vai (ou não) passando no terreno, para além de tudo o que a experiência nos tem demonstrado e aconselhado, depois da formação turbulenta, mas economicamente estratégica (falta saber se a longo prazo o será) dos mega-agrupamentos, tudo se configura para que tudo pudesse vir a funcionar menos mal, no âmbito ideal da aludida sociedade educativa.

Assim pensaram os teóricos e, se calhar, fizeram figas, depois de terem depositado no banco das intenções, tamanho capital de expectativas.

De nada vale, no entanto, a magia das representações de políticos pouco hábeis e nada atentos ou empenhados; vistas bem as coisas, repetimos, na prática, multiplicam-se a complexa confusão da salada etária, com os consequentes e irreversíveis transtornos de ordem psico-afectiva de todas as crianças envolvidas; a labiríntica e esmagadora miscelânea de docentes, discentes, assistentes operacionais e funcionários administrativos; ao professor ainda não lhe foi conferida a tal autoridade, autonomia e individualidade que o estatuto deveria assegurar e reforçar; os meios ao dispor da classe não são os mais adequados e, relativamente às parcerias, convénios, tratos e contratos com as diversas pessoas colectivas e instituições diversas, aqueles tornam-se extremamente difíceis, senão mesmo impossíveis, numa sociedade que, cada vez mais, tem pautado os seus comportamentos, atitudes e reacções pelo egoísmo feroz de interesses umbilicais que apenas visam lucros imediatos e sempre crescentes, doa a quem doer; pela indiferença diletante dos mais ricos (também em ignorância, por vezes); pelo cinismo e hipocrisia de alguns políticos, pela total ausência de espírito de solidariedade e empatia e de cultura de valores altruístas no seio da grande família lusitana.

Disseram Sociedade Educativa?! Pois é!... Só que o civismo, a educação e a civilidade de uma imensa franja da população portuguesa, deixa muito a desejar; deixa-nos ficar mal, perante nós próprios e ainda face ao desenvolvimento sócio-económico-político-cultural dos países europeus ditos civilizados.
NOTA IMPORTANTE: ARTIGO ESCRITO EM SETEMBRO DE 2003. SERÁ QUE EVOLUÍMOS?!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

TIMOR, MEU SOL NASCENTE

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Oh Timor da minha infância
ilusão de pergaminho
estendido sol distante
mar de fantasia e Pátria e orgulho
Minho Cova Lima Portugalidade infinita
cadinho de culturas ou palavras
afectos que se fundem no devir

Oh Timor dos cravos de sangue
espiralado desejo de verde mar
aconchego amniótico salutar

A lava rubra de vulcão impiedoso
a queimar as frágeis pétalas
das sublimes almas mauberes
Liurais merah putih aturdidas
varridas pelo vento agreste
que tolheu a fútil rosa
desmaiada
pelo visceral sopro de peste

Oh injustiçado Timor
abandonado ao terror
dos dragões da hipocrisia
grudados ao crude jazente
no fundo negro desse teu mar reluzente
até um dia... até ser dia...

Loro Sae Timor meu Sol Nascente
abandonado ao vil torpe e decadente
transgressor
de precária segurança assassina
ilumina o frémito da Fé
no destino do teu Povo
e caminha firme no fito
de visar além o mito
segurando hoje e já o rito
de seres o que és por sermos
homens todos iguais
na busca fulgurante da paz
nas horas de uma lúcida construção

Oh Timor da minha infância
oh iluminado Timor
Loro Sae Timor meu Sol Nascente

Em 30 de Setembro de 1999

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A TUA ESSÊNCIA

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O teu rosto flui surpreendente
na superfície líquida do sonho
pujante de acordes e timbres incendiados
na pauta imaculada da paixão

Os teus olhos verdes anos
cintilam de esperança
oceanos
e tormentos de emoção
reprimida a lua na toada solitária
de silêncio frágil ou rígido
tenso pulverizado

Os teus cabelos
revolta arquitectura projectada
arte
esfíngica escultura intemporal
suspiro subtil poema vivo
no rosto dos meus dias

O teu sorriso apaga as intempéries
bonança iluminada melódica doce fresca
magneto de magia vegetal e luar
o teu sorriso...

O teu corpo pedaço de terra
vermelha
é o espaço de loucura
de alma escravizada sem reverso
dependente do perfume dos teus seios
dois cachos de brancas glicínias
ou de uvas azuladas
pejados de seiva e glória
que sorvo anelante nos bagos dos mamilos
pérolas nacaradas de vitória
aveludadas pétalas de memória
a tua pele...

Uma chuva miudinha
beija o teu ventre gracioso
de ninfa e cheiro a fruta
no esteiro secreto de confluência
onde navega um barco de lágrimas
e sémen e cristal e luz
metamorfose
por dentro do sacrário do teu corpo
útero coração bênção divina
fulgor giesta em flor
ilha de redenção no arquipélago dos órgãos
esplendor o teu útero mais que perfeito
gineceu de vida que a Fé embala
ao ritmo dos teus passos
puros firmes musicados pelo vento
num bailado de ramagens e abraços
soltos livres sem idade
como pássaros de cor
no limiar da Primavera
ao encontro das flores
do tempo que é só teu...
que é só teu
como se fosse o espaço...

in "O Rumo e o Sonho" - 2001
Fólio Edições

domingo, 18 de maio de 2014

A PALAVRA POR DIZER

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Que dizer da palavra por dizer?
Aquela que em nós guardámos latente
no cofre do silêncio reticente
de sentido sufocado por ser

nuvem no sol do contacto e suster
no peito que pulsa impaciente
a tal melodia que não desmente
a luz multicolor de te viver

Fá-la palavra por tão bem sabermos
ser feita da clausura que tecermos
pra que viva feroz e decidida

indelével no sulco que nos dita
ser o rumo do sonho ou da desdita
a senda da vitória nesta vida

In "O Rumo e o Sonho" - 2001
Fólio Edições

EDUCAÇÃO OBJECTIVA E CULTURA CIGANA

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Há cerca de um quarto de século, tive oportunidade de frequentar um seminário, iniciado em regime de internamento, no ApartHotel da Curia ( 2 semanas teóricas e duas semanas de prática pedagógico-didáctica), financiado pelo Fundo Social Europeu, subordinado ao tema genérico - "A Cultura Cigana". A vertente prática (segunda quinzena) teve lugar na Escola Básica Integrada (?!) do Bairro de S. João de Deus, no Porto, em contacto directo com crianças ciganas aí domiciliadas.

Logo após o seminário, lembro-me perfeitamente de ter efectuado vários trabalhos escritos onde registei, com o máximo cuidado de sistematização, alguns dos aspectos basilares relativos às ideias fundamentais então interiorizadas. Um desses trabalhos versava a essencialidade da tolerância que sempre se deve manifestar face aos hábitos, costumes, práticas, cultos, valores, crenças, ritos, expectativas e vivências das minorias étnicas.

Na altura, recordo-me perfeitamente, fiz notar o quão rudimentares, titubeantes, indiferentes ou omissas podia significar esse tipo de comportamentos atitudinais desviantes, porque quem apenas tolera limita-se a admitir, a concordar, a aceitar, mas, nada faz no sentido de considerar, de respeitar (?), de encarar com manifesta curiosidade intelectual saudável a diversidade cultural e étnica que cada vez mais nos rodeia.

Vem tudo isto a propósito da postura que, tanto o Ministério da Educação e os docentes em particular, como a população em geral devem assumir relativamente à problemática em apreço. A EDUCAÇÃO, quando perspectivada de forma decididamente objectiva, pode constituir um precioso auxiliar, senão mesmo o principal alicerce do desenvolvimento sustentável, uma vez que, quando os curricula contemplam e equacionam as múltiplas vertentes da realidade social envolvente, devem, necessária e previamente, formar o seu corpo docente para o efeito, não escamoteando, portanto, a existência das várias etnias que fazem parte do nosso tecido social; não ignorando a diversidade dos seus hábitos e cultos; não atropelando a importância das potencialidades que as minorias em si encerram, mas antes procurando perceber o alcance da multiplicidade dos valores universais de identificação e integração sócio-afectiva dos grupos sócio-culturais diferenciados.

Não basta, está bem de ver, como acontece nos outros países não sujeitos a ditaduras, que a EDUCAÇÃO siga, pura e simplesmente, o rumo despreocupado e normal do ensino das coisas básicas, desinseridas daquela estruturação integrada e integrante que se deve ligar à vida e à sua realidade palpável, no sentido do desenvolvimento das populações. A escola deve procurar a implementação de uma EDUCAÇÃO OBJECTIVA, necessariamente atenta aos problemas do dia-a-dia que, como se sabe, podem e devem ser resolvidos com recurso a estratégias de aprendizagem alicerçadas em programas que possam ser  previamente objecto de estudos e aturadas investigações, da responsabilidade dos gabinetes de investigação e estudo das Universidades credenciadas para o efeito.

Hoje, Portugal parece estar perdido no meio do imenso, agitado e atribulado oceano da União Europeia, navegando à deriva na sua estranha e rectangular casquinha de noz, sem remos nem Norte. É que nesta nossa terra, teimamos em continuar a não cultivar princípios tão simples como os do rigor, do respeito pelo próximo e pelo trabalho e, no campo particular da EDUCAÇÃO e do ENSINO, tem sido sistematicamente colocada à frente de qualquer outra prioridade, certos interesses sempre apelidados de transitórios, ligados a cortes, subtracções e poupanças mais que duvidosos, para além de outros esquemas de impensável implementação, ligados ao aparente voluntarismo bacoco e decadente da maioria. Por estranho que pareça, ou talvez não, esse tipo de motivações tem vindo a minar a democracia e os seus pressupostos, porque, sem deixarem de ser alegadamente inconstitucionais, ilegais, ilegítimos, inconsequentes, incongruentes e irresponsáveis, têm demonstrado constituir, seguramente, incompreensíveis derivas parciais e fraccionárias, cuja cansativa tautologia se me afigura prejudicial e decrépita, ainda que a baptizem de politicamente correcta.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

MERCADOS, POLÍTICAS E PESSOAS

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Num ritmo cada vez mais firme e decepcionante, vai caminhando a vida das sociedades ocidentais, no sentido da mais completa e irreversível decadência; numa toada cada vez mais monocórdica e decrépita, vai soando o dia-a-dia dos povos das nações ditas democráticas, em contextos da mais terrível ambiguidade indecifrável... lá fora; cá dentro, escuta-se a toada que advém da pauta rectangular de malabarismos inconfessáveis, cujo canto de sereia, da nossa politicazinha de algibeira, e que teima em se fazer ouvir porque, afinal, continua a haver quem lhe dê atenção, mesmo que não consiga atribuir-lhe percepção – é a população que temos... Enfim, prossegue esta insuportável, ensurdecedora sinfonia arrítmica, sem deixar de soar a falso, regida por pseudo-maestros, cuja batuta fazem gáudio em exibir, numa pose desconcertante de umbilical clave sem sol, sempre à espera dos aplausos ingénuos ou pouco esclarecidos, daqueles que, sem sentido, pouco ou nenhum uso fazem dos sentidos, para já não falar da inteligência, embotada por tanto açoite certeiro.

Parece-me ter sido este o cenário, mais ou menos inalterável, que me tem sido dado apreciar – depreciar – a partir do auditório institucional da política nacional, já lá vão décadas (!!!), sem que a população portuguesa consiga acordar da terrível modorra anestésica, em que se encontra mergulhada – os brandos costumes não explicam tudo – podendo tomar em mãos – já que de democracia se trata – o seu próprio destino, como o fez algumas vezes, com sucesso, ao longo da nossa meritória História-Pátria.

Reparem que, durante as mais recentes campanhas eleitorais, fomos comprovadamente enganados, porque nada nos foi informado, esclarecido ou elucidado, por quem o deveria ter feito, relativamente ao colapso das contas dos vários ministérios, compartimentadamente; do deve e do haver das contas públicas; da dívida externa; do montante escandaloso dos juros a pagar a quem do exterior nos financia; da barbárie dos impostos; da quebra abrupta do consumo, do comportamento das exportações; da gigantesca e avassaladora onda dos desempregados; do endividamento galopante das famílias; da fome, da miséria, da parasitagem social, política e institucional “legalmente” (?!) assistidas, etc., etc., etc..

Já repararam que, não obstante todas estas omissões, ou melhor, precisamente devido a todas estas falhas, alegadamente premeditadas (?), somos diariamente insultados, ao nível da nossa inteligência, por um bem treinado exército de jornalistas, comentadores, ex-políticos, ou seja, os já habituais colunáveis residentes da comunicação social, que teimam em nada dizer, falando sempre as mesmas atoardas, banalidades, num registo medíocre, previamente formatado, de incompetente protagonismo?! Por que razão não é banido de vez este aflitivo coro de avençados, ao serviço deste pântano putrefacto?!

Já agora, e a talho de foice, assinalemos aqui a ignorância gramatical de muitos deles: nunca acertam nas concordâncias entre os vários elementos sintagmáticos da frase; omitem por sistema o uso das formas verbais no conjuntivo; ignoram a posição do “se” quando empregam verbos reflexos; trocam a sonoridade de certas palavras no plural; abstraem-se da própria realidade quando referem “um ponto de situação”, ao invés de O ponto DA situação; quando alguém corre perigo de morte, eles referem, abstrusamente, que corre perigo de vida (?!!!), entre muitas outras coisas. Bolas, isto é demais!

sábado, 3 de maio de 2014

ÁFRICA

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Quero guardar o cheiro a savana no teu corpo
sentir o subtil afago do capim pela manhã
beber o orvalho na folhagem dos teus gestos
vibrar no tropel dos corações em delírio

Por entre acácias verdejando
na densidade das fendas ressequidas
pelo sol crepuscular dos batuques
tão presas ainda à terra dos sentidos
quero guardar o cheiro a savana no teu corpo

Plácida terra que sempre soube de cor
envolve-me no hálito fresco do teu ventre
perfumado

na latência cerrada do teu bosque
nos tons e sons da tua seiva
que bebo insaciável
à boca da madrugada

e vem amanhecer na manta morta
do meu corpo

in "O Rumo e o Sonho" - 2001
Fólio Edições


sábado, 26 de abril de 2014

"A PAIXÃO E RESSURREIÇÃO DO SOLDADO" - NOTA INFORMATIVA



O romance Psico-Social “A PAIXÃO E RESSURREIÇÃO DO SOLDADO” é profundamente ficcionado, a partir das experiências que partilhei com outros camaradas de armas, em Angola, e dos contextos vivenciais que observei e integrei por lá, e depois por cá. 

Optei, então, por uma espécie de postura omnisciente, enquanto autor, sem deixar de ser narrador ausente como personagem da acção, muito embora Francisco permaneça numa linha de construção analítica, do ponto de vista interior e, de uma perspectiva meramente exterior, vai conseguindo assumir-se como um muito atento observador, na óptica da sua exegese. Desta maneira, esta estória apresenta, ao longo dos seus meandros discursivos, quer antecipações (analepses) de carácter Histórico, absolutamente fundamentadas na bibliografia consultada, quer, por contraponto a estas, prolepses que se estruturam em várias relações temporais dinâmicas, de cariz possível, ao longo de toda a diegese. 

Analepses e prolepses são, como se verifica, contrabalançadas pela anacronia que se lhes interpõe... Acaba por redundar tudo numa obra que esboça todo um conjunto de soluções eventuais para os conflitos interiores do autor, perspectivadas no âmbito do raciocínio motivado, como, de resto, o são todas, quer se queira quer não.

Refira-se, ainda, no que a este romance diz respeito, que o procurei dotar de uma subtil estética de cariz erótico, perseguindo a necessidade de retratar os receios e sobressaltos tão comuns à época, para poder levar o leitor a reflectir sobre as contradições ideológicas, inerentes às motivações de (des)orientação educacional, que marcaram o período do Estado Novo, mas que continuam, ainda hoje, a pairar, literalmente, sobre as nossas cabeças.

A PAIXÃO E RESSURREIÇÃO DO SOLDADO” agarra também a mensagem de Vergílio Ferreira, patente na sua “Manhã Submersa”; o ensaio de Freud sobre o “Perturbante”: as teses de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, sobre o existencialismo e o papel da mulher na sociedade; a fidedigna História dos povos de Angola; a problemática da consciência humana, segundo o sempre actual Henri Baruk; e, embora nem só de pão viva o homem, assinale-se, em todo o discurso da narrativa, o curioso perpassar do fenómeno gastronómico da francesinha...

BOA LEITURA!