quinta-feira, 26 de setembro de 2013

POMBA E LEOA


Sinto no rosto o suave vento
das tuas asas de ave branca

Tu és pomba imaculada
sem deixares de ser leoa
tão felina como o odor
com que me envolves
tão maligna como o amor
com que me dilaceras

Tu és a leoa que inventei
sem deixares de ser a pomba
que cruza a atmosfera do sonho
ao encontro da perplexa rota da ventura

Pomba e leoa leoa ou pomba
quero que permaneças poema
por seres luz e sangue e dor
um suave vento no meu rosto
o selvagem cheiro do amor

25/12/1998

Manuel Bragança dos Santos
          in O Rumo e o Sonho 
              Fólio Edições 2001


Nota: net pic


3 comentários:

  1. Poema de rara beleza.
    Parabéns pela inspiração.

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  2. Toninho, agradeço uma vez mais a gentil complacência das suas apreciações.

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  3. Querido Zé
    Que belo é o teu poema! Fazes a definição exacta,de forma muito poética, daquilo que deveriam ser todas as mulheres apaixonadas.Isto é a minha maneira de ver...
    Hoje, o meu blog completa um ano.
    Beijinhos da
    Mana

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