| Imagem do Google |
A
propósito da mais recente polémica sobre o financiamento público da escola
privada – existe aqui uma inelutável contradição –, profusamente alimentada e
carreada pela comunicação social, em geral, e pelos núcleos ideológicos
nacionais, em particular, constatámos, uma vez mais, o quão escamoteada está a
ser, na sua verdadeira essência, a Escola, enquanto instituição basilar,
fundamental, cujo estatuto e papel deve estar ao serviço da preparação
consciente, sensata e equilibrada das gerações futuras.
Do nosso ponto de vista, tanta
efervescência radica apenas, alegadamente – se tentarmos penetrar no mais
recôndito e profundo âmbito de eventuais motivações inconfessáveis –, nos
interesses mercantilistas de atracção do produto do sempre renovado e
actualizado “brutal aumento de impostos” a que vamos estando contínua e
irremediavelmente sujeitos. Não façam, ao menos, entrar na liça as criancinhas!
Reparem: não existem métodos
pedagógicos infalíveis, e, tudo dependendo do meio no qual evolui a criança,
assim poderá variar seu próprio
desenvolvimento. No entanto, a melhor educação é sempre aquela que assenta na
experiência vivida, quando a escola, de forma atenta e controlada, permite que
os alunos protagonizem vivências pedagogicamente ricas e didacticamente
consolidadas, capazes de aportar resultados positivos, na sequência do
procedimento discente, no âmbito de uma certa liberdade de escolha. Mas, como
sempre temos afirmado, tudo começa no lar de cada um, no seio da família, não
só através dos melhores ou dos piores exemplos, mas também, por intermédio de
uma boa ou de uma má organização da vida doméstica.
Os objectivos familiares são sempre
definidos ou negligenciados pelos pais, devendo estes, no caso que aqui importa
relevar, possuir sentido crítico face à vida, sendo capazes de agir de acordo
com uma certa disciplina pessoal, em função do seu posicionamento familiar e
das suas responsabilidades sociais. O exemplo é tudo.
Os pais devem possuir um
conhecimento adequado dos filhos e saber agir de acordo com as suas reais
necessidades, respeitando o seu ritmo de desenvolvimento e a sua capacidade de
aprendizagem, não projectando nunca sobre as crianças os seus défices
de afirmação e identidade, numa tentativa de compensar, no presente, frusrações
do passado. Objectividade é tudo quanto se exige, nem que para tal seja
necessário recorrer a entendidos na matéria.
A educação é um continuum que
deve propiciar à criança um desenvolvimento lento e sustentável; este tipo de
processo pode, inclusivamente, registar retrocessos que urge conhecer e
acompanhar com calma e sabedoria.
Por muito que custe aos pais, educar
implica sacrifícios no sentido de dotar os rebentos de hábitos salutares e de
entrosamento ao clima social da família, de forma confortável e pertinente.
Aqui, principalmente, os exemplos dos adultos são fulcrais, até porque, mais
tarde, no seio dos pares, as crianças servirão também de modelos umas das outras.
Em família, cada elemento deste núcleo social deve responder pela suas
atribuições, não recorrendo, portanto, a bodes expiatórios.
Fora de questão estão, ainda, os
comportamentos de desforço, por ignorância ou mau carácter do pai em relação à
mãe, devido às alterações de humor que esta experimenta em resultado das
variações hormonais mensais, durante a gravidez, aquando do desmame e, pior do
que tudo isto junto, sempre que se verificam tentações de rivalizar com o filho
ou a filha, em nome de certos desequilíbrios afectivos mal geridos.
Se as famílias forem capazes de estar atentas a estes
pequenos-grandes pormenores, a educação tomará o rumo mais adequado a um airoso
desenvolvimento das crianças, sem que seja necessário impor sanções ou coagir
dolorosamente os pequenitos. Os miúdos quando percebem o que se lhes pede,
desempenham com alegria o seu papel de filhos e, mais tarde, na escola, estarão
aptos a dar continuidade à sua formação integral e integrada. Como escreveu A.
S. Makarenko: “Toda a arte pedagógica está em encontrar o melhor de cada ser e
pô-lo em relêvo”.
Educar é difícil. Ser mãe ou pai é muito problemático principalmente devido à falta de preparação dos mesmos. No entanto há o amor que supera muitas das dificuldades...
ResponderEliminarNo geral penso que o seu texto toca os pontos sensíveis. E quanto ao assunto das "escolas" concordo quando diz que esta polémica "é profusamente alimentada pela comunicação social, em geral, e pelos núcleos ideológicos nacionais".
Beijo.