terça-feira, 23 de janeiro de 2018

PHÁNTASMA



        
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    Assim mesmo: phántasma – a palavra, arbitrária, por certo, tal como a recebemos do grego, tal como a interiorizámos, enquanto representação mental que ilumina o referente-significante-signo-sinal que regressa, de forma audível, fonemática, num acto distintivo de significação, para dar corpo ao significado que se pretende nomear.

            Alguém escreveu um dia, que a comunicação entre duas pessoas é sempre um diálogo a quatro vozes... E isto é tanto mais importante quanto mais determinante se torna, neste tipo de relação bilateral, a influência agreste dos desejos tornados inconscientes em ambas as pessoas, quando comparada, aquela, com o diálogo verbalizado que eventualmente possa ocorrer.

            Vem esta reflexão a propósito da mais recente notícia, veiculada pelos media globais, sobre os treze filhos de um casal norte-americano que foram encontrados em casa, acorrentados às camas, subnutridos e apagados nas suas capacidades de crescimento físico, mental e psicológico, se fizermos fé nos relatos policiais. O casal declarou-se já inocente.

            Os seres humanos são, a um tempo, energia (vida) e sensibilidade (consciência alargada), inteligência e memória e, sempre que um bebé deixa de ser, sensitivamente, uma extensão do corpo da mãe (não-Eu) experimenta um assomo de identidade, que não pode nem deve ser tolhido, para poder medrar saudavelmente. É este o começo. O ambiente familiar são os pais, mas, a sensibilidade destes não pode, sob pena de aniquilar os filhos, ocultar-se e manifestar-se, simultaneamente, buscando a sua auto-satisfação abusiva, através da expressão de duplos sentidos.

            Não pretendemos, de todo, analisar a família do exemplo mediatizado, por isso estamos a reflectir em termos gerais, partindo, para isso, de um conjunto de noções educacionais que fomos adquirindo ao longo de aturados anos de investigação... Fica a nota. Assim, sublinhe-se que a dificuldade de conciliação entre as pulsões infantis e as exigências culturais e de aprendizagem, não se liga apenas aos objectos internos e à captação simbólica do desejo, mas, por maioria de razão, a objecção principal surge pela influência dos fantasmas angustiantes projectados nas crianças pelos desejos recalcados dos adultos.

            O meio familiar e social dos filhos que muitos não merecem ter, como temos referido, envolve e condiciona, capta e reduz intrinsecamente as crianças e pesa sobre as suas cabeças como uma terrível espada de Dâmocles, capaz de lhes traçar, da pior forma, o destino.

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