sábado, 16 de julho de 2016

PENSAMENTO E CONSCIÊNCIA

Imagem do Google

          Relativamente aos conceitos em epígrafe, julgamos não ser de desprezar a constatação fácil de que ambos evoluem, com o tempo, no âmbito da sua capacidade de encarar e compreender o real envolvente. De resto, tudo se terá passado, desde os primórdios da humanidade, um pouco como o que se verifica com a criança, ontem como hoje, através das fases estudadas pela Psicologia do Desenvolvimento. Senão, vejamos:

            O paralelismo a que nos referimos, tinha já sido objecto de estudo, por parte de Freud, na sua obra Totem e Tabu, ao longo da qual este famoso médico neurologista pretendeu demonstrar que o pensamento e a consciência dos homens são dinâmicos e não estáticos e, portanto, possuem carácter evolutivo, no sentido da redimensionação das concepções humanas da vida e do mundo. Sendo assim, quer o pensamento, quer a consciência percorreram já três estádios de desenvolvimento progressivos, que passamos a citar:

            Tal como acontece com a criança, também a humanidade começou por olhar o mundo, por meio de uma leitura animista, atribuindo-se a si própria o poder infinito e a tudo quanto a rodeava uma alma idêntica à alma humana. A esta fase animista, por isso, continua a corresponder, desde sempre, o narcisismo, por força da crença em si mesmo, que o homem vai alimentando, para seu próprio gáudio, como se o poder dos homens fosse infinito e tal configuração das coisas fosse compatível com a realidade.

            Seguidamente, na fase religiosa, o poder infinito é cedido aos deuses... não totalmente, porque o homem não cessa nunca de julgar e influenciar os deuses, levando-os sempre a agir de acordo com os seus próprios desejos, vontades e expectativas, como se de uma identificação projectiva se tratasse. Em termos de correspondência, a fase religiosa equivale ao estádio da escolha objectal, isto é, à fixação da líbido aos pais. Enquanto a mãe, a partir do seu próprio corpo, outorga um corpo à criança, o alimenta e protege, o pai garante a construção do respectivo psiquismo. 


    Por último, surge a fase científica só tornada possível devido ao actual estado adulto (?!) da humanidade e consubstanciada pelo princípio da realidade e pelas exigências de um altruísmo actuante. No entanto, se a concepção científica do mundo é objectivação rigorosa, observação e constatação, como fica, então, o poder ilimitado do homem? A humanidade tem mesmo de reconhecer e aceitar a sua pequenez, insegurança, fragilidade e finitude, não sendo capaz, portanto, de se furtar à morte, pelo que, não é possível encarar a ciência, em termos definitivos, como algo infalível ou imutável, muito menos absolutamente exacto e objectivo.

1 comentário:

  1. Três fases do desenvolvimento e da consciência humanas, por certo todas elas extremamente importantes... De psicologia só entendo melhor a da intuição...
    Um beijo, meu amigo.

    ResponderEliminar