quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O ÓCIO E O NEGÓCIO



Imagem do Google

    Reflectindo um pouco sobre tudo quanto hoje se vai passando ao nível da educação, da falta dela ou das perturbações que coalham o ambiente familiar e escolar, surgiu-nos esta ideia dicotómica, de cariz filosófico, que liga o conceito de negócio à educação equilibrada, socialmente enquadrada, e a representação mental de ócio, enquanto deriva pessoal, como estando mais próxima da ausência educacional à qual se associa, conforme os casos, o pior dos cenários caracterizado pelo clima familiar perturbador e perturbante.

    Hoje em dia, as instituições governamentais, empresariais, educacionais, familiares, sociais, virtuais e outras que tais invocam, a torto e a direito, a liberdade – não conseguimos perceber de que liberdade se trata – para explicarem o porquê das suas decisões, comportamentos, atitudes e arbítrios, como se o ócio fosse o negócio e o negócio o ócio. Situemo-nos: Filosoficamente, a liberdade pessoal por que todos almejamos abarca uma certa autonomia e independência, de resto, confinada no tempo e no espaço, enquanto defesa ou distensão da rotina exigente e cansativa do quotidiano laboral ou escolar.

    Isto acontece, porque todos temos deveres (negócios) e, por isso mesmo, devemos usufruir também dos direitos (ócios) que nos permitem elaborar da melhor maneira a nossa personalidade. Uns e outros, contudo, não podem ser interpretados como algo isolado, quer da comunidade quer da sociedade, nem se devem impor ambos como algo de meramente pessoal, divorciado do social.

    Recordando o teor do primeiro parágrafo do texto, cabe interrogar sobre que crianças educam as famílias e as escolas?! Serão elas desejadas e aceites?! São deixadas ser livres e autónomas, respeitadas, apoiadas e devidamente orientadas?! Tem pesado mais a tradição ou o bom-senso educacional na aceitação da natureza intrínseca do educando, enquanto indivíduo em formação, rumo à felicidade relacional-social?! Como contestou W. Wolf, na obra “A Personalidade da Criança Pré-escolar (1949), a criança não é um homúnculo, nem um boneco-de-corda, nem um animal a domesticar, nem tão-pouco um troféu dos papás. Em todas estas aberrações de óptica não é possível a interacção saudável nem o fomento de uma vivência estruturante e segura para o desenvolvimento da sua personalidade.


    Resumidamente diremos que a segurança adequada (em função da idade) e circunscrita no tempo e no espaço é essencial; o amor (omnipresente) incondicional e amadurecido dos adultos constitui a indispensável fonte de alegria, energia e orientação; a consideração e aceitação dos seus traços de individuação, em contexto de liberdade regulada, permitir-lhe-ão a recriação da sua dinâmica natural e a vivência pessoal de um conjunto de experiências que fortalecerão o seu Ego, habilitando-a a ser feliz. Desta forma evitar-se-ão as denominadas dificuldades educativas especiais, afinal, previamente induzidas pelos pais e pelos educadores.

1 comentário:

  1. Perfeito, Humberto.
    A primeira infância é fundamental em todo o processo de aprendizagem,
    pelo que, o ensino nesta faixa etária - que devia prolongar-se até os
    sete anos - devia merecer a mais rigorosa atenção.
    Também desiludida pelo descaso.
    Bom fim de semana.
    ~~~~~

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