terça-feira, 6 de janeiro de 2015

AMPULHETA

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Há tanto tanto tempo te quero 
longo distante remoto passado
louco frenesim de torcer este fado
em qualquer lugar o tempo te espera 
recordo canseiras ânsias e sonhos
fantasias quimeras delírios medonhos
esgota-se o tempo por ti desespero

Busca permanente feita de lembranças 
navego carícias nessas águas mansas
reflexo esmeralda doce tempero 
incandescente paixão coração ardente 
cerrado no peito gravado na mente
és altar de vida meu fogo sagrado
tesouro troféu parte de mim 
não vamos ter fim fica a meu lado

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

VIGÍLIA DOS SENTIDOS

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Confiadamente 
escutei o silêncio 
no eco das areias que o tempo furta 

Na clausura do vazio tentei erguer
a apoteose de todos os momentos 
na intuição dos recados 
que a tua voz projectava 
em timbres de solar rubor 

Viajei na infância 
a saudade de todos os lugares
que soubeste comigo
num secreto regresso
à bonomia das raízes 

Levantámos uma torre indestrutível
nos esteiros da Ria
no rio das esteiras 
na humidade dos juncais
em junquilhos de fragrância
na surpresa das revelações 
no canásio que guardaste
no pasmo dilacerante do ocaso 

Hoje sei o que é morrer 
na vigília dos sentidos

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

TRÁGICA DERROTA




Não sei por que te despenhas 
na ravina da indiferença
no barranco do abandono
nas falésias do desprezo
num espartilho de penumbra 
que o tempo dilacera

Comigo viajas sempre
na linha dos sentidos
percorrendo o torvelinho agreste 
que o silêncio me grita

Sinto o desespero gelado
nas mãos vazias 
sempre que agarro o medo
ou faço sucumbir a solidão
mitigando imagens fugidias 
por entre os dedos trémulos

Sinto que me acenas 
do fundo do flagelo
tentando pôr fim a tão trágica derrota

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

BÚZIOS DE SILÊNCIO



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Nem mesmo no poema 
direi de ti todos os segredos

Mesmo aqueles que ribombam
ecos sem sentido
na transparência da palavra 
cruelmente ofuscada
à mesa de sombrios delírios 
serão búzios de silêncio
pavor e desespero 

Já subi todas as colinas 
serras e montanhas
promontórios e ravinas 
para te dar o Sol de cada dia
na alma que procuravas 

Resta-me triturar nos lábios 
o abandono destes dias 
a dor
o queixume
a fantasia de quem bebeu o rio
verde da quietude
e hoje entardece
no mar do desassossego

Nem mesmo assim
direi de ti todos os segredos

domingo, 30 de novembro de 2014

COMO SE NADA FOSSE




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Como se nada fosse
anunciaste o silêncio

Sinto a tua seiva na garganta
redimindo a sede de infinito
como se o sonho ou o sobressalto 
fosse a luz que embriaga a distância

Nenhuma outra flor ou fruto
tranquiliza a delirante insónia
do vazio que hoje grito
em torno da chama do poema
que incendiavas nas pétalas da palavra
no centro da corola do teu corpo
nas labaredas dos sentidos 
na fúria do tempo consumido

Nenhuma outra flor ou fruto
sustenta em mim 
a eternidade da memória



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

(A)MAR


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Nem eu sei se já nasci
nas evocações nos presságios no assombro
por entrever a última origem das coisas
na alma da natureza no cosmos
no absoluto na poesia no mito
no corpo da liberdade
na fénix renascida
na revolta do meu grito

Ocupas o infinito ainda e sempre
no meu juízo sem noite nem dia
na liberdade do destino
na vida da morte de mil cores
na força da fraqueza
na ânsia do prazer
no êxtase do tormento

Nem eu sei se já nasci
embora possa soletrar
neste muro de silêncio
a força da palavra (A)MAR

domingo, 16 de novembro de 2014

DESVELO



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Dormes serena ao meu lado

Repousa a tua nudez
satisfação de penumbra
na plenitude corpórea
da densidade das formas 
nesta paz de sermos dois
numa só alma de luz

Dormes serena ao meu lado

Meu horizonte de espanto
meu silêncio sublime
meu desvelo absoluto
rio por ora liberto
meu desvario impoluto
mar amor fonte de vida
connosco fica o segredo
de te saber renascida

Dorme serena ao meu lado